Esperada a renúncia do Magistrado dos Lordes
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de dezembro de 1998
Kevin McElderry France Presse 
Um magistrado britânico se encontra pressionado a renunciar, depois que a revelação de suas ligações com defensores dos direitos humanos desembocou em uma decisão que anulou o veredito sobre a imunidade do general Augusto Pinochet. Cinco lordes magistrados decidiram que a relação de lorde Hoffmann com a Anistia Internacional significa que este juiz não deveria ter feito parte do primeiro tribunal da Câmara dos Lordes, que examinou o caso do ex-ditador chileno.
O veredito da sexta-feira passada não tinha precedente, já que se tratava da primeira vez na história que a Câmara dos Lordes anula uma de suas próprias decisões.
É provável que a nova audiência seja realizada no dia 18 de janeiro, dando a Pinochet, de 83 anos, novas esperanças de evitar ser extraditado para a Espanha.
Foi uma guinada importante, depois que o primeiro tribunal decidiu que não tinha direito à imunidade em questão de detenção e extradição como ex-chefe de Estado.
O general Pinochet é reclamado pela Espanha, que o acusa de genocídio, tortura e terrorismo durante seu regime ditatorial, de 1973 a 1990, quando mais de três mil pessoas foram assassinadas ou desapareceram.
Mas enquanto o ex-ditador chileno provavelmente ainda festeja em sua luxuosíssima mansão alugada em um subúrbio da classe milionária de Londres, numerosas vozes pedem a renúncia de lorde Hoffmann.
Este magistrado foi criticado por seus colegas, que decidiram por unanimidade que ele deveria ter declarado suas intenções e renunciado a fazer parte do primeiro tribunal.
Hoffmann é diretor de uma organização beneficente vinculada a Anistia Internacional desde 1990. Sua esposa Gillian trabalha há 21 anos com essa organização, que fez uma intensa campanha para que Pinochet fosse julgado.


