Cidade mais atingida está sobre falha geológica e tem crescimento urbano descontrolado
France Presse/ReproduçãoPânico em IstambulIstambul não foi atingida na mesma proporção, mas a metrópole foi tomada pelo pânico. Praticamente toda a Grande Istambul ficou sem energia e comunicações por várias horasFrance PressInstituto de Geologia de Edinburgo confirma 7,8 na escala Richter
IPS
de Istambul
O terremoto que sacudiu na noite de ontem a cidade de Izmit, na Turquia, e que deixou mais de dois mil mortos, milhares de desaparecidos e inúmeros feridos, foi uma tragédia humana agravada pela falta de visão e pelo desrespeito às leis de zoneamento e normas de construção.
Izmit se localiza sobre uma falha geológica que corta o norte da Turquia. A cidade não pára de crescer, por causa do constante êxodo rural, e a área urbana cresce de forma descontrolada.
Polat Gulkan, sismólogo da Universidade Técnica do Oriente Médio, disse que o terremoto de Izmit já havia sido previsto pelos cientistas e, ao menos no papel, pelas autoridades municipais, que ‘‘não têm como supervisionar todas as obras’’.
Em entrevista à rede de televisão britânica BBC, o diretor do departamento de risco da Inspetoria Sismológica Britânica, George Musson, confirmou que os perigos sismológicos da zona de Izmit já eram muito bem conhecidos. Mesmo assim, há vinte anos se constrói na área, quase sem controle.
‘‘Há um código de construção na Turquia, mas não se pode esperar que ele seja seguido à risca. É um problema econômico’’, disse Musson.
O primeiro-ministro turco, Bulent Ecevit, anunciou recursos extras para a reconstrução que se seguirá ‘‘ao pior desastre natural já visto’’.
Mais de duzentos tremores secundários foram registrados após o terremoto principal, que chegou a 7,8 na escala Richter. Praticamente toda a região, que inclui parte da Grande Istambul, ficou sem energia ou comunicações por várias horas. Embora Istambul não tenha sofrido destruição nas proporções vistas em Izmit, a metrópole foi tomada pelo pânico.

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