Eleito com uma plataforma de esperança e mudança que conquistou a maioria dos eleitores domésticos e grande parte da opinião pública internacional, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Barack Obama, terá grandes desafios a serem enfrentados: uma grave crise econômica, desemprego em alta e empresas com sérios problemas, a longa, custosa e sem solução imediata guerra com o Iraque e a diminuição da importância dos Estados Unidos no cenário internacional, aponta o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Miguel Cenci.
  ‘‘Obama possui um perfil diferente dos políticos tradicionais: é jovem, negro, bem articulado e hábil para comunicar o que pretende, inspira confiança e gera esperança. Embora tenha surgido como o ‘cavaleiro da mudança’, de forma mais concreta não ficou muito claro ao longo dos últimos meses que mudanças seriam essas’’, observa Cenci.
  Na opinião do professor de História Contemporânea da UEL, José Miguel Arias Neto, a eleição de Obama tem muito mais significado histórico para os Estados Unidos do que para o resto do mundo. ‘‘Sou cético em relação a grandes mudanças no campo das relações internacionais. Pelo contrário, acredito até que a eleição do democrata pode complicar a relação do país com o Brasil’’, analisa Neto.
  Segundo o professor, ‘‘Obama escolheu a senadora Hilary Clinton como secretária de estado, e, ideologicamente, ela é mais próximo do PSDB do que do PT do presidente Lula. No setor econômico a perspectiva protecionista dos democratas pode tensionar as relações com o Brasil em alguns pontos específicos’’, argumenta. Em relação à política nuclear, Neto acredita que os Estados Unidos intensificarão a pressão para conhecer a desenvolvida tecnologia brasileira de enriquecimento do urânio. ‘‘Não obstante, o mundo fica melhor sem George Bush na Casa Branca’’, afirma.
  De acordo com Cenci, embora a eleição de Obama nutra expectativas de mudanças, o poder político enfrenta limitações diante de uma grave crise econômica. ‘‘Com a economia globalizada o Brasil perderá ou ganhará mais ou menos se a economia global funcionar adequadamente. Ao contrário de outros tempos, e a crise mostrou isso claramente, governos isolados não podem promover mudanças expressivas na economia’’, finaliza.

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