Especialistas debatem morte de gorila
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quinta-feira, 02 de junho de 2016
Anna Virginia Balloussier<br>Folhapress 
Nova York - "Dê os parabéns para Harambe!", pedia a equipe do Zoológico de Cincinnati, em Ohio, no Facebook, na sexta passada. Para acompanhar, a foto do gorila de recém-feitos 17 anos - sua espécie, ameaçada de extinção, vive em média 50. O aniversariante tinha 200 kg e menos de 24 horas de vida. No dia seguinte, o animal foi abatido com um rifle, após um menino de 3 anos cair em seu cercado.
A morte de Harambe causou comoção pública e levantou um debate ético sobre o direito dos animais. Zoológicos fazem sentido em pleno século 21? E matá-lo foi realmente necessário? O time do "sim" argumenta que não havia escolha. Um vídeo que viralizou na internet condensa dez minutos de tensão. A criança entra no espaço do símio, que reage ora com ternura (parece segurar suas mãos e o levanta para examinar sua camisa), ora com movimentos abruptos (arrasta o garoto pela perna por vários metros, pela água de sua jaula). Entre berros de visitantes, a voz desesperada de Michelle Gregg: "Mamãe está aqui!"
Tranquilizantes, dizem especialistas, demorariam minutos para surtir efeito. Pior, poderiam estressá-lo mais. Jerry Stones, que conheceu o primata com 21 dias de idade e dele cuidou por 15 anos, não via opção: Harambe precisava morrer. "De repente, ele tinha algo dentro de sua casa. Era perigoso? Um brinquedo? O que era isso? Ainda que sem intenção, ele era tão grande que poderia machucar a criança acidentalmente."
O biólogo Ian Redmond, consultor-chefe do Grasp (Projeto para a Sobrevivência dos Grandes Macacos), concorda que tranquilizantes enervariam Harambe. "Mas gorilas têm mentes razoáveis", escreveu em artigo para o jornal "The Guardian". Se alguém em quem o símio confiasse aparecesse com uma bandeja de suas frutas favoritas e tentasse acalmá-lo, ele poderia responder bem, diz. "Mantendo todo o tempo um atirador em posição, caso fosse necessário."
Para o etólogo (especialista em comportamento animal) Eduardo Ottoni, da Universidade de São Paulo (USP), o ideal seria afastar a multidão de visitantes em pânico e tentar a tática da comida, que "provavelmente teria bastado para afastar Harambe da criança". Ele ressalta que "gorilas são criaturas razoavelmente pacatas e estritamente vegetarianas". O infanticídio, afirma, "ocorre apenas em disputas entre machos, por haréns".


