Washington - O ex-premiê espanhol José Luis Zapatero afirmou ontem que é necessário um "processo de paz preventivo" na Venezuela, para evitar que a crise política e econômica no país se agrave ainda mais. Zapatero é um dos mediadores do conflito, junto com os ex-presidentes dominicano Leonel Fernández e panamenho Martín Torrijos, a convite do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper.
No informe inicial dos esforços, o espanhol disse que, antes de qualquer solução política, é preciso trabalhar pela reconciliação do país. "Só na paz há direitos. Não há política na violência", disse o ex-premiê. "A reconciliação não é o fim, mas o começo." Zapatero relatou o encontro que teve no início do mês com o opositor Leopoldo López numa prisão venezuelana e disse que ele se mostrou inclinado a tentar o diálogo.
A sessão foi convocada pela delegação venezuelana. Alguns diplomatas, principalmente os que se opõem a Caracas, consideram que a reunião foi marcada para confrontar o secretário-geral da OEA, Luis Almagro. Crítico do presidente Nicolás Maduro, o ex-chanceler uruguaio convocou para amanhã uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA, baseando-se na Carta Democrática da instituição. Caracas pede o cancelamento da sessão extraordinária, alegando que Almagro não tem legitimidade para invocar o documento.
Durante a sessão de ontem, a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, chamou de "fraudulento" o informe sobre a crise em seu país feito pela equipe do uruguaio. Para o embaixador brasileiro na OEA, José Luiz Machado e Costa, as tentativas de mediação para a crise na Venezuela não são autoexcludentes. Porém, afirma que a OEA "é o único foro hemisférico que congrega todos os países da região". Buscando se distanciar das polêmicas, Zapatero disse que a mediação que tenta conduzir é "realizada com imparcialidade e respeito à soberania venezuelana".

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