Andreu Dalmau/France Presse



M. H. de Leon/France Presse


Dor e despedidaA manifestação catalã (alto) reuniu 1 milhão de pessoas em Barcelona, às 19h30m; em baixo, a mãe de Blanco Garrido, Dona Consuelo, chora no enterro do filho em Ermua, província basca de Vizcaya, cidade natal do vereador assassinado pelos guerrilheiros do ETAA Espanha parou ontem durante 10 minutos, às 12 horas, para homenagear o vereador Miguel Angel Blanco Garrido, de 29 anos, assassinado com tiros na nuca pelos terroristas do ETA no último sábado, depois de ser sequestrado 48 horas antes. Blanco era membro do governista Partido Popular (PP, conservador) e sua morte comoveu o mundo. A organização terrorista basca queria trocá-lo por presos políticos.
Durante todo o dia houve manifestações. Às 19h30, um milhão de pessoas fizeram 1 minuto de silêncio na Praça de Catalu¤a de Barcelona, ao final da manifestação ‘‘Pela paz e pela liberdade’’. O protesto superou em meio milhão de pessoas um outro ato registrado há dez anos, em manifestação pelo mais cruel atentado da ETA, na época, contra o Supermercado Hipercor, que causou 21 mortos. Desta vez, os catalães proclamaram silenciosamente e apenas com uma bandeira basca (ikurri¤a) e uma catalã (senyera) seu máximo repúdio pelo último crime do terrorismo basco.
À frente, com um cartaz gigante que dizia ‘‘Per la pau i la llibertat’’ (‘‘Pela paz e a liberdade’’), apareceram o presidente catalão, Jordi Pujol, o prefeito Pasqual Maragall, o ministro da Indústria, Josep Piqué, o arcebispo de Barcelona, monsenhor Carles e os principais líderes de partidos e sindicatos catalães.
Pessoas com os filhos nos ombros desfilaram entre o Paso de Gracia e Aragón, passando pela Avenida Diagonal. Os participantes formavam uma fila com uma extensão de um quilômetro de comprimento por 120 metros de largura.
Um cartaz pedindo a pena de morte para membros do Herri Batasuna (HB, braço político do ETA), foi retirado imediatamente, enquanto a maioria agitava lenços brancos e apresentava a foto de Miguel Angel, com a inscrição ‘‘Mai mes’’ (‘‘Nunca mais’’) e o grito de ‘‘Bascos sim, ETA não’’, ‘‘assassinos’’.
SolidariedadeQuando alguém gritou ‘‘filhos da p.’’, os aplausos calaram a gritaria para manter o tom pacífico e não reivindicativo da manifestação. A atriz Rosa Novell leu o comunicado final no qual os catalães elevavam a voz para advertir: ‘‘Venceremos, com a força de nossa razão e a solidaridade de quem defende liberdade, justiça e democracia’’.
‘‘Os terroristas e seus cúmplices cometeram um grave erro: não permitiremos que um bando de assassinos volte a nos impor a pena de morte que conseguimos cancelar’’, clamou a atriz.
Em Madri, também se reuniram um milhão de pessoas para protestar contra o assassinato de Blanco Garrido. No mesmo horário, O trânsito foi paralisado em alguns setores e os motoristas se alinharam nas estradas junto a comerciantes que suspenderam seus trabalhos.
Várias cidades decretaram luto oficial de três dias e foram incontáveis as manifestações de rua. De manhã até à noite, a solidariedade percorreu as ruas de cidades e localidades madrilenhas, bascas, catalãs, galegas, valencianas, andaluzes e de outras regiões do País, estendendo-se ao clamor popular até a ilha de Mallorca e, até mesmo nas ilhas Canárias, em frente à África.
Em San Sebastian, no País Basco, vários simpatizantes do HB, que tentaram desfilar com cartazes a favor dos presos da organização armada tiveram que fugir dos manifestantes. Várias sedes do ETA no País Basco foram atacadas.

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