Espanhóis fazem 5 minutos de silêncio pelos mortos
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terça-feira, 04 de julho de 2006
Folhapress 
São Paulo - Espanhóis fizeram cinco minutos de silêncio ontem em memória dos 41 mortos no descarrilamento de um trem do metrô em um túnel no leste de Valencia. Outras 47 pessoas ficaram feridas na tragédia. A análise da caixa preta divulgada ontem aponta que o trem circulava a 80 km/h o dobro da permitida na curva em que se produziu o acidente.
''Os corações dos espanhóis estão em Valencia'', afirmou vice-premier Maria Teresa Fernandez de la Vega. Políticos e trabalhadores do Parlamento espanhol em Madri também participaram do ato, assim como funcionários do escritório do premier espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero.
Um buquê de flores brancas e vermelhas e várias velas foram deixadas ontem em frente à estação onde ocorreu o acidente. O tráfego ficou congestionado nas ruas da região.
Segundo especialistas forenses, os corpos de quase todas as vítimas com a exceção de uma foram identificados. Trinta delas eram mulheres em sua maioria espanholas. Segundo a Cruz Vermelha, uma mulher estrangeira ainda não foi identificada.
O trem descarrilou por volta das 13h locais (8h em Brasília), quando passava por um trecho de curva na saída da estação Jesus. Segundo autoridades e testemunhas, o trem que estava lotado de passageiros circulava em alta velocidade.
Centenas de pessoas viajaram para Valencia ontem para participar do Encontro Mundial de Famílias, que será celebrado no próximo final de semana pelo Papa Bento XVI.
O Papa rezou pelas vítimas e disse que ''acompanhou a dor e os relatos dramáticos'', de acordo com o Vaticano. Os organizadores cancelaram as festividades que estavam planejadas.
Velocidade- A análise da caixa preta revelou que o trem circulava a 80 km/h no momento do acidente o dobro do permitido na curva em que a tragédia ocorreu, segundo o jornal espanhol ''El Mundo''.
A velocidade é a máxima permitida para o trem. De acordo com o jornal, não se descarta a hipótese de que o condutor tenha sofrido um mal-estar ao passar pelo trecho.
Segundo o secretário-geral do sindicato ferroviário, Fernando Soto, o excesso de velocidade se registrou pouco antes do descarrilamento e as informações da caixa preta apontam que o maquinista ''apertou até o fim'' o acelerador, e em seguida tentou ''diminuir a velocidade''.
A princípio, acreditou-se que o acidente havia sido causado pelo descolamento de uma parede do trem. Mais tarde, ganhou força a hipótese de que o excesso de velocidade, unido à ruptura de uma das rodas, causou o descarrilamento.


