Escravidão chega aos tribunais de Nova York
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Alfons Luna<br>Agência France Presse 
Nova York -Após o Holocausto e o apartheid, a escravidão chegou aos tribunais de Nova York depois que, nesta segunda-feira, dez descendentes das vítimas apresentaram uma denúncia por genocídio contra três grandes empresas às quais reclamam pelo menos dois bilhões de dólares.
As companhias em questão são a seguradora britânica Lloyds, o banco norte-americano Fleet Boston e a fabricante de cigarros, também americana, R.J Reynolds.
Segundo os demandantes - americanos com origens em Serra Leoa, Níger e Gana, entre outros -, a Lloyds assegurava os barcos encarregados do transporte de escravos da África para a América, a Fleet Boston financiava as operações e a Reynolds comprava a mercadoria para trabalhar em sua lavoura.
O processo foi apresentado ao tribunal federal do distrito sul de Nova York e agora corresponde aos juízes Lewis Kaplan e Gabriel Gorenstein decidir se o acolherão.
''Nos últimos 8 anos, todos os grupos de vítimas do mundo, menos um, teve seu dia na corte. Os judeus tiveram seu dia nos tribunais, os japoneses tiveram seu dia nos tribunais...'', explicou em entrevista coletiva o advogado dos demandantes, Edward Fagan.
''O único grupo que resta são os africanos ou afro-americanos'', continuou Fagan, que em 1998 conseguiu com que vários bancos suíços pagassem ao Congresso Judaico Mundial 1,25 bilhão de dólares no caso dos fundos depositados por vítimas do Holocausto.
Esta não é a primeira vez que a questão do tráfico negreiro com destino aos Estados Unidos, praticado em grande escala até que o país aboliu a escravidão, em 1860, chega à Justiça.


