Escolhido candidato de oposição na Argentina
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terça-feira, 01 de dezembro de 1998
Ariel Palácios Agência Estado 
Após a eleição interna de domingo, que apontou Fernando de la Rúa como candidato da oposição à presidência argentina no pleito do próximo ano, a palavra de ordem na coalizão oposicionista Aliança UCR-Frepaso era a seguinte: Nem vencedor nem vencidos.
De la Rúa conseguiu 63% dos votos, enquanto Graciela Meijide obteve 37%. A diferença de 25% foi maior que a prevista pelos institutos de opinião e pela boca-de-urna, que não indicavam diferenças superiores a 20%.
Com isso, a Frepaso ficou caracterizada como uma força política da capital e da área metropolitana. As comemorações na UCR foram discretas, para evitar constrangimentos aos aliados perdedores. Não há derrota. Há um triunfo da Aliança, disse De la Rúa, levantando o braço de uma conformada Meijide.
Circunspecto, apesar da vitória que praticamente o consagra como o próximo presidente do país, De la Rúa somente esboçou um ensaio de sorriso quando lhe deram uma camiseta do time de futebol Boca Juniors, que ele agitou por uns instantes.
O nome do vice-presidente da coalizão ainda não foi anunciado oficialmente, mas será um político da Frepaso. Extra-oficialmente, trata-se do deputado Carlos Chacho Álvarez. Nos planos dele não constava uma vice-presidência. Álvarez almejava disputar a sucessão de De la Rúa na prefeitura de Buenos Aires e, dali, saltar para uma candidatura presidencial no ano 2003.
Momentos antes de partir para o Japão, onde permanecerá durante toda a semana, o presidente Carlos Menem lançou uma bomba de efeito político: segundo ele, já que votaram 2,5 milhões de pessoas (três entre cada dez eleitores) em uma eleição não obrigatória, a obrigatoriedade do voto não é mais necessária. E anunciou que apresentará um projeto para eliminá-la. Isso só poderá ser feito com uma reforma constitucional. Com essa jogada, Menem poderia conseguir, por tabela, o que vem tentando há dois anos: incluir na Constituição uma segunda reeleição para presidente, o que lhe daria a chance de disputar um terceiro mandato.


