Escolha de Miss Mundo será em Londres
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domingo, 24 de novembro de 2002
Aminu Abubakar<br>France Presse 
Lagos - A violência entre cristãos e muçulmanos continuou ontem no norte da Nigéria, mesmo depois do cancelamento do concurso de Miss Mundo, que devia ser realizado no próximo dia 7 e foi transferido para Londres, segundo seus organizadores. A decisão foi tomada depois de dois dias de violentos confrontos que começaram com manifestações de muçulmanos hostis ao concurso e que deixaram mais de 100 mortos e 521 feridos.
As mainifestações de revolta entre cristãos e muçulmanos prosseguiram na manhã de ontem na cidade de Kaduna. ''Os militares disparam e os manifestantes respondem. Os soldados asseguram que os manifestantes estão bem armados, inclusive com fuzis Ak-47'', disse uma testemunha.
Os confrontos começaram na quarta-feira passada, com uma manifestação de jovens muçulmanos irados com um artigo sobre a escolha da Miss Mundo que foi publicado no jornal The Daily, de Lagos, a capital econômica da Nigéria. Os distúrbios se transformaram rapidamente em violentos enfrentamentos entre muçulmanos e cristãos.
Um jornalista da AFP teve de se refugiar ontem, junto com outras mil pessoas, em uma fábrica de cerveja, situada ao sul de Kaduna, perto da estrada para Abuja. ''Tivemos que correr para nos salvar. Tentaram incendiar a fábrica'', explicou uma jovem de 20 anos.
Segundo Patrick Bawa, porta-voz da Cruz Vermelha, no momento é impossível estimar o número de vítimas, pois os distúrbios se propagaram para os bairros populares do sul de Kaduna. Durante os distúrbios, foram incendiadas igrejas e mesquitas.
O cancelamento do evento desagradou o presidente nigeriano Olusegún Obasanjo, que havia dado seu público apoio ao concurso apenas algumas horas antes da decisão tomada. O cancelamento também deverá afetar a imagem internacional da Nigéria, já bastante deteriorada pelos recentes fatos relacionados com a aplicação da Charia, a lei islâmica.
A maioria das candidatas, por outro lado, espera ir para Londres o quanto antes possível. ''Fomos usadas como pretexto. As pessoas estão se matando e dizem que tudo é por causa do Miss Mundo'', reclamou Paula Murphy, Miss Escócia. ''Um concurso de beleza não vale a pena se provoca mortes e quero voltar para casa o quanto antes possível'', acrescentou.


