LIMA - A recusa do comando do grupo MRTA em participar ontem da 10ª reunião destinada a continuar as negociações para o fim do sequestro em Lima, diminuiu o otimismo de que a crise possa ser resolvida pacificamente e em breve. Nestor Cerpa, o líder do grupo que mantém 72 reféns dentro da residência do embaixador japonês em Lima há 80 dias, havia anunciado na quinta-feira que as negociações seriam suspensas indefinidamente já que havia ameaça de o governo ordenar a invasão do cativeiro durante sua ausência da casa.
A suspeita parece ter sido confirmada por fontes dos serviços de segurança peruanos, que afirmaram à agência Reuter que pelo menos quatro túneis já estão abertos na área embaixo da residência, para serem usados numa eventual ação militar objetivando a libertação dos cativos. Os túneis, cavados enquanto a polícia tocava música em alto volume do lado de fora do cativeiro nas últimas semanas, ligam casas vizinhas ao jardim da residência tomada pelos guerrilheiros. Segundo as fontes, a operação de invasão do cativeiro duraria sete minutos e causaria muitas mortes.
Quinta-feira, Cerpa afirmou que de dentro da residência era possível ouvir barulho, que aumentava de intensidade a cada dia, e aparentemente vinha debaixo da casa. O jornal La Republica publicou em sua edição de ontem que desde meados de janeiro repórteres observam que entulho é retirado de uma das casas localizadas atrás do cativeiro.

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