Escândalo gera renúncias na Argentina
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sexta-feira, 01 de setembro de 2000
France Presse e Associated Press De Buenos Aires 
Os três senadores do congresso argentino pela província de La Rioja (noroeste do país), os opositores Eduardo Menem e Jorge Yoma e o governista Raúl Galván, renunciaram ontem devido ao escândalo dos supostos subornos, informaram os próprios parlamentares. Os senadores peronistas Eduardo Bauzá, Angel Pardo e Ricardo Branda renunciaram à sua imunidade parlamentar.
Os senadores explicaram que suas renúncias se devem à corrupção no senado para a aprovação de uma lei de reforma trabalhista, um fato que abala o cenário político argentino.
Eduardo Menem, do Partido Justicialista (PJ, peronista) e irmão do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), disse à imprensa que renunciou perante o manto de suspeitas que se criou no senado pelo caso.
Yoma (também do PJ) e Galván (da aliança governista) defenderam suas respectivas renúncias com argumentos idênticos. Não obstante, as demissões dos três deverão ser aprovadas pelo parlamento de La Rioja.
A crise política no Senado argentino aprofundou-se ontem quando o juiz federal Carlos Liporaci pediu o fim da inumidade de oito senadores para que sejam investigados. São eles os peronistas Ricardo Branda, Ramón Ortega, Remo Constanzo, Emilio Cantarero, Alberto Tell, Angel Pardo e Eduardo Bauzá, além do radical Javier Meneghini. Liporaci fez o pedido para poder processar os oito senadores. Após receber o pedido de desaforo, o presidente do Senado e vice-presidente da República, Carlos Alvarez, sugeriu que os envolvidos renunciassem.
Isto não termina aqui, disse o juiz federal Carlos Liporaci, que investiga o escândalo, advertindo que, além de seu pedido inicial, ele poderá vir a pedir a suspensão da imunidade de outros parlamentares para aprofundar as investigações e saber de onde surgiu o dinheiro para esse delito.
Carlos Liporaci mudou radicalmente de discurso entre anteontem e ontem. Antes, Liporaci dizia possuir apenas denúncias, mas nenhuma prova concreta. Estou em um quarto escuro, afirmara em entrevista na quinta. E as luzes devem se acender aos poucos.
A atitude de pedir a retirada da imunidade de oito senadores, tomada ontem, demonstra, no entanto, que as luzes se acenderam bem mais rapidamente do que estava imaginando o juiz argentino.
A causa mais provável é que o juiz tenha tido acesso a alguma das provas, que ele diz possuir, nos depoimentos realizados ontem à noite e que se estenderam por toda a madrugada.
Entre os depoentes estava Joaquin Moráles Solá, colunista do diário La Nación, o primeiro a levantar a hipótese de ter havido suborno, em junho passado.
A repórter do La Nación que afirma ter ouvido o senador Emilio Cantarero (Partido Justicialista) confessar ter recebido suborno também depôs ontem.
Outra especulação que circulou pela Argentina é a de que Liporaci teria tido acesso a fitas da revista semanal Notícias que comprovariam o suborno.
Por fim, a mudança no discurso de Liporaci pode ter resultado de pressões da opinião pública. O juiz, no início desta semana, afirmou que seria difícil conseguir provas e a Justiça acabaria sendo considerada culpada pelo fracasso nas investigações. (Com Agência Folha)


