Marina Lapenkova
France Presse
De Moscou
Os escândalos começam a afetar o Kremlin e o entorno do presidente Boris Yeltsin, que parece estar sofrendo um acerto de contas a menos de um ano das eleições presidenciais russas. Em um clima que parece de fim de reinado, com as eleições legislativas em dezembro e as presidenciais, programadas para meados do ano 2000, ataques de todos os lados se voltam para o círculo presidencial.
Na Rússia, inclusive os líderes políticos, leais em outras oportunidades, como Yuri Lujkov, prefeito de Moscou, ou os governadores de regiões tradicionalmente fiéis a Yeltsin, estão agora na oposição. O círculo presidencial é denominado atualmente ‘‘a família’’. Essa denominação tem conotações mafiosas e foi lançada pela mídia que, até um passado recente, apoiava incondicionalmente o presidente.
O índice de popularidade do chefe de Estado, de 68 anos, reeleito em 1996, caiu a níveis nunca antes conhecidos e atualmente está em menos de 1%. A crise financeira de agosto de 1998 acabou de arruinar a imagem do presidente, que até então tinha a seu lado a reduzida ‘‘classe média’’. Muito enfraquecidos no interior de seu país, Yeltsin e seus partidários são cada vez mais alvos de ataques do Ocidente, que até então o via com bons olhos.
O jornal italiano ‘‘Corriere Della Sera’’ e o americano ‘‘USA Today’’ acusaram esta semana vários membros da equipe presidencial de lavagem de dinheiro em bancos ocidentais de bilhões de dólares de empréstimos do FMI para a Rússia.
‘‘Estas publicações demonstram a mudança de atitude do Ocidente com Boris Yeltsin e isto terá consequências muito negativas para a Rússia’’, estimou Serguei Kolmakov da Fundação Politika. ‘‘Não existem dúvidas de que estamos confrontados a uma poderosa campanha para desacreditar os dirigentes da Rússia e os empresários deste país’’, avaliou ontem o ‘‘Izvestia’’. Vários meios de comunicação russos vêem no caso uma luta eleitoral entre republicanos e democratas nos EUA.
‘‘Albert Gore (vice-presidente e representante americano na comissão EUA-Russia), protetor da máfia russa?’’, interrogou o jornal ‘‘Segodnia’’, que dá a entender que o desvio de créditos do FMI e a suposta lavagem de bilhões de dólares através do Bank of New York poderiam causar problemas para Gore, candidato à Presidência.
Até mesmo os arquiinimigos de Yeltsin, os comunistas, estimam que os ataques contra o Kremlin ‘‘são nefastos para a Rússia’’.

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