Escândalo abala governo sul-coreano
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terça-feira, 25 de fevereiro de 1997
Reuter, de Seul 
France PresseProtestoEstudantes universitários enfrentam a polícia em protesto contra o novo escândalo na administração sul-coreanaO presidente sul-coreano, Kim Young-Sam, desculpou-se publicamente ontem pelo envolvimento de dirigentes do seu partido, e do seu próprio filho, no escândalo financeiro do Grupo Hanbo. Expresso minha angústia por ter prejudicado a economia do país e pelos graves episódios de corrupção dos quais assumo total responsabilidade política, disse Kim em mensagem transmitida pela TV para todo o país. O presidente também assegurou que os responsáveis pelo escândalo serão punidos e que ele tomará as medidas necessárias para reativar a economia do país. Obrigarei meu filho a assumir as responsabilidades legais, se for comprovada sua participação, disse.
O ministério fiscal apresentou na semana passada acusações contra dez pessoas, incluindo dirigentes do partido oficial, no poder, Nova Coréia (PNC) e de partidos de oposição, bem como diretores de três bancos, por haverem recebido subornos do proprietário do Grupo Hanbo, Ching Tae-Soo.
Poucas horas depois do pronunciamento do presidente, foram anunciados vários pedidos de demissão no gabinete de Kim.
O líder do PNC, Lee Hong-Koo, e outros altos dirigentes apresentaram pedido de renúncia em massa. De acordo com a agência de notícias Yonhap, a decisão foi tomada em reunião do partido presidida por Lee, após as desculpas de Kim, que teria também declarado sua intenção de reestruturar importantes cargos dentro do partido e no seu gabinete.
O presidente do partido, Lee Hong-Koo e outros dirigentes apresentaram suas renúncias por não terem dado o apoio necessário ao presidente, declarou um porta-voz. Outros 12 secretários pessoais de Kim demitiram-se para que o presidente possa formar com liberdade sua nova equipe, informou o porta-voz da presidência. Segundo Yonhap, a reestruturação do governo, proposta por Kim, também seria o motivo pelo qual o primeiro-ministro sul-coreano, Lee Soo-Sung, e todo o gabinete estariam pensando em renunciar.
Kim assumiu o governo em fevereiro de 1993, como primeiro chefe de Estado civil, depois de mais de 30 anos de militarismo, com a promessa de criar uma nova Coréia e acabar com a corrupção no país.
Ainda ontem, milhares de estudantes saíram às ruas de Seul pedindo a renúncia do governo. Os manifestantes enfrentaram a polícia, que usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão.


