Erradicação exige
investimentos em
educação e saúde
Um grande projeto para a erradicação das doenças infecciosas exige, segundo Heymann, um recenseamento completo. ‘‘As doenças e as bactérias viajam, e tenderão a se tornar cada vez mais resistentes ao mesmo tempo que a globalização acelerará a propagação delas’’, aponta. ‘‘Somente com o aumento dos serviços de inspeção, com a criação de um melhor sistema de saúde e com a educação apropriada dos que administram os antiobióticos - além da pesquisa contínua – é que poderemos prevenir ou lutar eficazmente contra as doenças.’’
Tudo isso depende, obviamente, de um mínimo de investimento, seja em educação básica da população - garantindo hábitos de higiene -, seja em infra-estrutura pública. Escassez de água tratada, de combustível e eletricidade impedem a esterilização de material médico-hospitalar no Leste Europeu, por exemplo. ‘‘Tais carências são uma das principais causas de transmissão de doenças infecciosas também na Ásia, África e América Latina’’, diz Heymann.
Quanto ao investimento em pesquisas, os dois cientistas pregam o fim da distinção entre ricos e pobres. As pesquisas das doenças infecciosas do Terceiro Mundo e das enfermidades próprias dos países desenvolvidos podem ser intercaladas, até para otimizar os recursos. Segundo Montagnier, ‘‘as pesquisas sobre a aids podem contribuir no tratamento de doenças típicas da velhice, por exemplo, e vice-versa.’’
Trata-se de um trabalho de fôlego, concordam eles, prevendo mais um século até que surjam resultados visíveis. ‘‘Faço votos para que nossos descendentes encontrem soluções antes do fim do Século 21’’ diz o francês, com otimismo comedido. ‘‘Mas é bom saber que, uma vez resolvidos esses problemas, outros surgirão, porque esta evolução é inevitável num mundo que vive e se transforma sem parar.’’

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