Erdogan critica reação a tentativa de golpe
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segunda-feira, 08 de agosto de 2016
Diogo Bercito<br>Folhapress 
Madri - Em sua primeira entrevista à imprensa ocidental desde a tentativa de golpe na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan enviou nesta segunda-feira (8) um recado a líderes internacionais: eles deveriam ter reagido da mesma maneira com que reagiram, por exemplo, após um atentado terrorista em Paris. "O mundo todo reagiu ao ataque contra o 'Charlie Hebdo'. Nosso primeiro-ministro se uniu à marcha nas ruas de Paris", afirmou Erdogan ao jornal francês "Le Monde". "Eu esperaria que os líderes do mundo ocidental reagissem da mesma maneira ao que aconteceu na Turquia e que não se contentassem com alguns clichês."
No dia 15 de julho, uma tentativa de golpe militar na Turquia deixou mais de 240 mortos. Erdogan comparou o evento ao ataque ao semanário satírico francês "Charlie Hebdo", em janeiro de 2015, com 12 mortos. À época, houve extensa manifestação internacional pró-França.
Erdogan reclamou, durante a entrevista ao "Le Monde", da falta de "empatia" da liderança europeia. Ele também demonstrou desagrado diante das constantes críticas a sua reação à tentativa de golpe militar.
O presidente tem punido severamente diversos setores da população. Mais de 10 mil militares foram presos, 2.745 juízes foram afastados e 8.777 funcionários de segurança pública foram exonerados, entre outras vítimas do expurgo. A imprensa também tem sido perseguida. Neste domingo (7), Erdogan reuniu centenas de milhares em uma manifestação em Istambul. Agências de notícias relatavam mais de 1 milhão de participantes, incluindo partidos de oposição, no que foi interpretado como uma demonstração de força do presidente turco.
Erdogan tem repetidamente reclamado da falta de apoio de líderes europeus e dos EUA. Para ele, o país foi abandonado - e sua adesão à União Europeia, escanteada, apesar do recente acordo para o controle do fluxo de refugiados que poderia resultar na facilitação para vistos.
O presidente afirmou que o trato pode entrar em colapso caso a UE não mantenha a sua parte em relação aos vistos. É esperado que a Turquia ajude a frear a ida de refugiados para o bloco europeu.
"O mundo ocidental contradiz os valores que defende. Deveria ser solidário à Turquia. Infelizmente, preferiu deixar os turcos sozinhos", disse ao "Le Monde".
O presidente turco voltou a mencionar, também, a pena de morte, que o país aboliu em 2004. Ele havia mencionado essa possibilidade durante a manifestação de domingo. Ao jornal, disse que a questão terá que ser votada pelo Parlamento caso haja apoio popular. Um porta-voz da chancelaria alemã afirmou nesta segunda que o retorno da pena de morte na Turquia encerraria sua tentativa de entrar na União Europeia.


