As equipes de socorro que vasculham os escombros em Armenia, cidade do oeste colombiano mais atingida pelo terremoto de segunda-feira, conseguiram resgatar até ontem sete sobreviventes da tragédia, mas a esperança de salvar mais vidas vai diminuindo na medida em que o tempo passa. Uma forte chuva que atingiu a região na terça-feira à noite, causando inundações, dificultou a tarefa dos socorristas. O drama de um dos sobreviventes, Yesid López, de 13 anos, comove o país. Depois de passar 36 horas sob as ruínas da casa de três andares, onde vivia com sua família, o garoto corre o risco de ter uma das pernas, presa pelas toneladas de escombros por muito tempo, amputada. Ao ser resgatado, ele relatou que conversou, até várias horas depois do desabamento da casa, com um de seus irmãos, de 9 anos, e com a mãe. As vozes, porém, calaram-se pouco antes de ele ser resgatado. As equipes, até ontem à noite, ainda tentavam resgatar os cadáveres dos familiares do garoto.
É com base na dificuldade de remover os escombros e localizar mais corpos que os integrantes dos grupos de resgate - formados por soldados do Exército, bombeiros, voluntários da defesa civil e de organismos como a Cruz Vermelha - estimam que os mortos do tremor devem ser mais de 2 mil só em Armenia, onde dois terços das construções da cidade ruíram como castelos de cartas. Até ontem à noite, as autoridades colombianas já tinham registrado oficialmente mais de 878 mortes em todo o país, enquanto o número de feridos ultrapassava 3.411 e o de desabrigados estava perto de 200 mil.
O primeiro sobrevivente a ser removido dos escombros foi David Andrés Acevedo, de 16 anos. Segundo seus familiares, ele escapou sem lesões do desabamento do edifício onde morava. Mais tarde, as equipes retiraram das ruínas Jorge Eliécer Gómez, de 65 anos, que, apesar de ter a cabeça ensanguentada, deu várias declarações aos jornalistas sobre o tempo em que esteve soterrado. ‘‘Sobrevivi porque estava debaixo de uma mesa desde segunda-feira’’, afirmou. ‘‘Enquanto estava sepultado vivo, ouvia gritos de pessoas pedindo socorro.’’
Enquanto vários países continuavam a oferecer ajuda financeira e técnica à Colômbia, o presidente Andrés Pastrana anunciava ontem um esboço de plano para reconstruir as cidades mais atingidas pelo tremor. Ao mesmo tempo, novos abalos - que variavam de 3 a 5,4 graus na escala Richter - eram registrados, dessa vez na região noroeste do país e no sul da vizinha Venezuela.SaqueAlegando falta de assistência, centenas de pessoas invadiram e saquearem supermercado em ArmeniaReuters

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