Correndo contra o tempo, equipes de resgate russas fizeram ontem desesperados esforços para alcançar 118 marinheiros presos num avariado submarino, ao mesmo tempo que equipes estrangeiras com equipamentos de alta tecnologia começavam uma lenta viagem até o local do desastre que só será concluída no fim de semana.
A Marinha informou ontem que não havia sinais de vida a bordo do Kursk e uma filmagem do submarino nuclear indicou que uma explosão causou extensos danos desde a proa até a torre de comando, sugerindo que a maioria dos tripulantes não teve tempo de escapar. Os danos são muito maiores do que se pensava inicialmente, disseram oficiais.
Autoridades russas ainda não sabem exatamente o que ocorreu com o Kursk nem a provável sequência dos acontecimentos. Fala-se, por exemplo, que houve uma ou mais explosões na parte da frente do submarino. Mas Klebanov, falando após altos oficiais terem revisto os esforços de resgate, disse que evidências sugerem que o Kursk bateu ‘‘num grande, pesado objeto’’.
O subcomandante da Marinha, almirante Alexander Poboi, afirmou ontem que pode haver oxigênio suficiente para manter a tripulação com vida por duas ou três semanas. Mas os equipamentos de oxigênio podem ter sido danificados ou destruídos e Klebanov disse ontem que ‘‘não tem havido sons há um longo tempo’’ dentro do Kursk.
‘‘Uma grande parte da tripulação estava na parte do submarino que foi atingida pela catástrofe, que ocorreu na velocidade da luz’’, afirmou Klebanov.
O porta-voz da Marinha capitão Igor Dygalo disse que o Kursk, pousado a 108 metros de profundidade no fundo do mar de Barents, está lentamente afundando no lodo.
Quatro cápsulas de resgate russas trabalhando em turnos não conseguiram ontem alcançar o submarino, que está parcialmente inundado. Fortes correntes marinhas as impediram de aclopar-se ao Kursk, e nuvens de lodo reduzem a visibilidade no fundo do mar a quase zero, segundo oficiais.
Depois de resistir a ofertas de ajuda ocidentais, a Rússia voltou-se na quarta-feira para a Noruega e Grã-Bretanha. Mas levou quase um dia inteiro para que um navio norueguês levando um minissubmarino de resgate britânico partisse e ele não deve chegar ao local até a noite de sábado ou madrugada de domingo.
Um segundo navio com mergulhadores noruegueses também está rumando para o local, mas as últimas estimativas são de que ele só chegará ao seu destino, na costa norte nas proximidades de Murmansk, no domingo.
Perguntado por que o minissubmarino britânico foi levado num avião russo para Trondheim, Noruega, 1.500 km do local do afundamento, ao invés de para a Rússia, Dygalo disse que o veículo de resgate necessita de um tipo próprio de navio de suporte.
Submarinos americanos monitorando as manobras navais russas quando o Kursk afundou detectaram duas explosões, disseram oficiais dos EUA, que pediram para não ser identificados. A segunda explosão foi muito mais forte do que a primeira, acrescentaram.
Um provável cenário é que um torpedo explodiu, provocando uma explosão maior no compartimento repleto de torpedos.
O Kursk pode transportar até 28 torpedos e mísseis anti-submarinos, cada um carregando ogivas pesando 450 quilos. Uma explosão envolvendo mesmo poucos torpedos teria consequências catastróficas.
Imagens do submarino examinadas ontem mostraram sérios danos na metade da frente do submarino, informou a Marinha. Aparentemente, também foi danificada a cápsula interna de resgate do submarino localizada na torre de comando, tornando impossível usá-la, disse Dygalo.

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