Os mais de cem médicos, enfermeiras, assistentes e amigos que acompanharam o enterro do médico Matthew Lukwiya, convertido em herói da luta contra a epidemia de febre de Ebola, choraram, mas em nenhum momento se abraçaram nem se deram as mãos.
As pessoas mais ligadas ao falecido médico chefe do hospital Lacor de Gulu (Norte de Uganda) usavam inclusive luvas e equipamento de proteção médica quando retiraram o ataúde do hospital.
Com 14 mortos, o pessoal médico ugandense que atende as vítimas da terrível febre hemorrágica já pagou um duro tributo à luta contra a epidemia, que matou no total 156 pessoas desde setembro.
O médico Lukwiya morreu segunda-feira à noite de febre de Ebola, depois de toda uma vida dedicada a atender aos enfermos, particularmente os mais necessitados, até o último deles, uma enfermeira de seu hospital, também falecida, que lhe transmitiu a doença.
Além de Lukwiya, a epidemia matou 12 enfermeiros e enfermeiras, uma pessoa encarregada da limpeza do hospital e um motorista de ambulância.
O vírus se transmite por simples contato dos fluidos corporais dos enfermos.
Desde que a enfermidade foi formalmente identificada, em outubro, todo o pessoal de sa© úde foi equipado com roupa protetora. Mas as longas horas de trabalho estafantes levam a erros fatais.
‘‘Todos estão advertidos do perigo, mas, quando o cansaço é grande, a concentração baixa’’, explicou o diretor-geral dos Serviços de Saúde de Uganda, Francis Omaswa.
O hospital Lacor foi fundado nos anos 60 por um casal de médicos italianos, Piero e Lucille Corti. Desde então, tem sido um verdadeiro refúgio para milhares de enfermos e feridos nesse distrito de Uganda.
Lukwiya assumiu a direção do hospital em 1996. Dizem que foi ele o primeiro médico a alertar as autoridades, no início de outubro, sobre a existência de uma misteriosa febre hemorrágica.
‘‘Sua morte é uma grande tragédia, já que não é fácil encontrar dirigentes como ele’’, declarou Omaswa.
‘‘A maior homenagem que se pode prestar a este patriota e a todos os trabalhadores o setor de saúde que morreram lutando contra a enfermidade é intensificar os esforços para combater e deter a epidemia’’, declarou o presidente ugandense, Yoweri Museveni.

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