PARIS - Faltando oito dias para o primeiro turno das eleições legislativas, a balança continua quase equilibrada entre os dois campos em luta: a direita, agrupada em torno de Jacques Chirac e Alain Juppé, e a esquerda, liderada pelo socialista Lionel Jospin. Apesar disso, as pesquisas atribuem uma ligeira vantagem ao campo majoritário, atualmente no poder, e os especialistas acreditam que a direita gaullista continuará no comando.
Mas como são chatos todos esses discursos, esse palavrório, essas declarações pela TV, esses debates! Quando, num golpe teatral, Chirac resolveu dissolver a Assembléia Nacional e convocar novas eleições, todos esperavam uma campanha dura e ferrenha: Chirac havia colhido a todos de surpresa. A campanha eleitoral seria breve. Apenas três semanas. Portanto, todos pensavam num confronto brilhante, feroz, apaixonante.
Contudo, esta campanha está sendo ‘‘apaixonante’’ como um longa noite de outono e de chuva. Os adversários são tão ‘‘ativos’’ quanto as esponjas... E os cidadãos, embotados, aborrecidos, continuam indagando por que Chirac dissolveu a Assembléia Nacional.
Dois motivos foram dados para esta dissolução misteriosa: Chirac estaria com medo de que as eleições legislativas - que, em princípio, se deveriam realizar dentro de um ano - resultassem numa derrota para suas tropas (a direita). Antecipou as eleições, acreditando que sua maioria será confirmada, agora, ficando tranquilo por 5 anos.
Portanto, até o ano 2002, Chirac terá todo o poder, particularmente o de impor o euro (moeda única européia) e a construção européia a uma França onde o ceticismo contra a Europa vai avançando insensivelmente. O verdadeiro sentido das eleições seria então na realidade a Europa.

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