Equatorianos pedem profundas mudanças na política econômica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de agosto de 2001
ANSA<BR>De Quito 
Várias manifestações convocadas ontem por organizações sociais nas principais cidades equatorianas para exigir mudanças na política econômica do país foram dissolvidas pela polícia. Os trabalhadores do setor de saúde cortaram com pneus incendiados algumas ruas de Guayaquil (a 270 km a sudoeste de Quito) e foram dispersados com fortes jatos de gás lacrimogêneo. Também nos arredores da Universidade de Guayaquil os estudantes tentaram paralisar o tráfego, mas foram dissuadidos pela polícia.
Ao mesmo tempo, em Quito, a capital do país, os servidores públicos se negaram a trabalhar e se colocaram diante dos prédios administrativos com cartazes e faixas de protesto contra o governo do presidente Gustavo Noboa. Os trabalhadores exigem melhores salários e rejeitam as próximas privatizações dos serviços de telefonia e eletricidade.
Por sua vez, a poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) ameaçou processar Noboa se este persistir em impor os 14% do imposto sobre o valor agregado (IVA).
O Tribunal Constitucional, máximo organismo jurídico do Equador, negou um aumento de dois pontos no IVA, mas o governo resiste em acatar a decisão do Judiciário.
O presidente da Conaie afirmou que hoje a confederação indígena e outros movimentos sociais inaugurarão o chamado Parlamento Popular, onde analisarão a política econômica oficial.
A Conaie exige mudanças de gabinete no governo nacional e advertiu que, se isto não ocorrer, as autoridades terão de enfrentar sérias consequências.
Os líderes da Conaie informaram que a marcha dos indígenas que partiram do sul do país chega amanhã dia da festa nacional a Quito.


