Quito - Os cerca de 9 milhões de eleitores equatorianos comparecerão ao segundo turno presidencial hoje bastante divididos e razoavelmente hesitantes entre dois candidatos ideologicamente opostos, mas também temerosos de que possa haver uma ''mexicanização'' do país, com o candidato derrotado sem aceitar a vitória do adversário sob a alegação de fraude.
A maioria das pesquisas de intenção de voto revela um empate técnico, e um número ainda considerável de eleitores indefinidos deixam o resultado imprevisível. Depois de vencer o primeiro turno e liderar durante quase toda a campanha do segundo, o milionário Álvaro Noboa, de direita, passou a perder terreno para o esquerdista Rafael Correa, um aliado do venezuelano Hugo Chávez.
O número de indecisos também é parecido ao de outros levantamentos: surpreendentes 17%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para cima ou para baixo.''Há uma incerteza se o suposto empate técnico que as pesquisas mostram ocorrerá da mesma forma nas eleições dado o alto número de indecisos'', disse José Hernandez, analista político e diretor editorial da revista ''Vanguardia''.
Caso a diferença apertada dos levantamentos se mantenha nas urnas, o temor no país politicamente mais instável da região é a contestação dos resultado pela parte derrotada. ''Não é apenas um possível cenário à mexicana. Os dois candidatos colocaram pedras no caminho para justamente poderem se proclamar vencedores. E isso é um cenário perigoso'', diz Hernandez.
Temendo confrontos, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pediu às redes de TV que não divulguem pesquisas de boca-de-urna se a diferença entre os dois for pequena.
A ONG Participação Cidadã, que fará um levantamento paralelo, já disse que não divulgará números se a diferença for menor que 50 mil.
''Faço uma apelo emocionado ao povo do Equador: vocês devem ter a segurança, a tranquilidade, a paz para esperar pelos resultados oficiais'', disse anteontem o presidente do TSE, Xavier Cazar, que previu que os números finais saiam somente na terça-feira.
A troca de insultos entre os candidatos, as acusações de fraude e o Congresso eleito bastante fragmentado têm gerado um forte pessimismo sobre as chances de o Equador sair de dez anos de forte instabilidade política, período em que nenhum dos três presidentes eleitos terminou o mandato.''Já se pode dizer desde agora que haverá um fracasso de governabilidade'', diz Hernandez.
Para o analista, caso Noboa ganhe, terá mais possibilidade de conseguir a maioria no Congresso, mas ele não reúne condições de empreender as reformas políticas e sociais exigidas pela população. Já o maior problema de Correa na presidência, segundo o analista, seria o fato de que seu partido não lançou candidatos ao Congresso.

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