São Paulo - Soldados mexicanos vasculhavam a zona rural na fronteira com o Estado americano do Texas ontem, em busca dos autores do pior massacre da guerra entre traficantes no país. Ontem, a Marinha mexicana encontrou 72 corpos -ao menos quatro de brasileiros- em uma fazenda no Estado de Tamaulipas, no Norte do México.
Um jovem identificado como Freddy Lala Pomavilla teria sobrevivido ao massacre fingindo-se de morto. Ferido com um tiro na garganta, ele chegou a um posto da Marinha mexicana e contou às autoridades sobre o massacre de imigrantes brasileiros e equatorianos.
Ele disse ser um imigrante ilegal vindo do Equador. Freddy relatou que os estrangeiros foram sequestrados por um grupo criminoso quando tentavam chegar à fronteira com os EUA. Os homens disseram pertencer ao grupo Los Zetas e ofereceram trabalho como matadores de aluguel por US$ 1.000 quinzenais. Quando os imigrantes recusaram a oferta, os matadores começaram a atirar.
O governo do Equador pediu ao México que aumente a proteção a esse equatoriano. ''É questionável que a imagem de nosso compatriota esteja em todo o mundo quando se trata de testemunha de um ato do crime organizado'', disse a titular da Secretaria Nacional do Migrante, Lorena Escudero. Imagens do sobrevivente em um leito de hospital foram divulgadas à imprensa ontem.
Ela afirmou que o sobrevivente ''precisa de proteção absoluta'' e criticou que a imprensa mexicana tenha divulgado imagens do jovem.
Patrulheiros fortemente armados em caminhões, tanques e jipes percorriam cidades e vilarejos na região de fronteira entre México e EUA. Helicópteros também sobrevoavam a área.
A cônsul-geral adjunta do Brasil no México, Maria Aparecida Weiss, confirmou que o cônsul-geral Márcio Lage foi pessoalmente ao local da chacina onde ao menos quatro brasileiros foram mortos para tentar obter seus nomes. Lage decidiu acompanhar o vice-cônsul João Zaidan na viagem à San Fernando, no norte do país, ao lado de diplomatas de El Salvador, Honduras Equador, num avião disponibilizado pela procuradoria-geral do México. O Itamaraty também comentou sobre a missão diplomática, dizendo que o caso é ''prioridade absoluta'' para o Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

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