Equador irá renegociar dívida externa
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terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Vinicius Albuquerque<br> Folhapress 
São Paulo - O presidente do Equador, Rafael Correa, que tomou posse do cargo ontem, disse em seu discurso que irá renegociar a dívida externa do país para sair da condição de um dos países latino-americanos que menos investe em seus habitantes.
''Iremos a uma renegociação soberana e firme da dívida externa equatoriana e, além disso, das condições inadmissíveis que nos foram impostas na troca no ano 2000'', disse Correa, referindo-se à dolarização da economia feita naquele ano - o que provocou desaquecimento.
A renegociação iria liberar o país do ''insuportável peso'' da dívida externa, disse o presidente equatoriano. ''Não haverá solução integral para o problema da dívida enquanto não houver reformas na arquitetura financeira internacional'', afirmou.
Correa defendeu uma ''ação concertada'' de países devedores para redefinir os critérios de sustentabilidade do serviço da dívida e de determinação de dívidas ilegítimas e criar um tribunal internacional de arbitragem de dívidas soberanas.
No mês passado, Correa já havia dito não descartar a possibilidade de declarar uma ''moratória unilateral da dívida externa'' do país, se isso fosse necessário para atender às demandas sociais.
A possibilidade de uma reestruturação da dívida havia sido confirmada pelo economista Ricardo Patino, que foi nomeado ministro da Economia do Equador. ''Temos de fazer algo sobre o serviço da dívida, porque está estrangulando nossa economia''.
À época ele disse que o novo governo equatoriano planeja anunciar ''algo muito importante'' em fevereiro.
Em dezembro de 2001, a Argentina, que atravessava uma grave crise econômica, declarou a moratória de sua dívida. Em fevereiro do ano passado, o país conseguiu que cerca de 76% de credores aceitassem trocar títulos velhos da dívida por novos, com valor menor. Em 2005, a Argentina e o Brasil quitaram suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Já o governo uruguaio anunciou em 2003 um programa de reestruturação de sua dívida, pelo qual o Banco Central trocou títulos com vencimento neste ano por papéis com prazo maior, com vencimento em 2012, numa operação de cerca de US$ 3 bilhões.


