Nas últimas semanas 2.500 venezuelanos ingressaram, por dia, pela fronteira entre Equador e Peru
Nas últimas semanas 2.500 venezuelanos ingressaram, por dia, pela fronteira entre Equador e Peru | Foto: Luis Robayo/AFP



O governo do Equador confirmou nesta sexta-feira (24) a abertura de um "corredor humanitário" ligando a fronteira do país com a Colômbia, no norte, e o Peru, no sul, para facilitar o ingresso de venezuelanos. Momentaneamente, foram habilitados 35 ônibus gratuitos exclusivamente destinados aos imigrantes.

A medida ocorre na véspera de o Peru adotar a obrigatoriedade do passaporte para os venezuelanos entrarem no país. No Equador, há a exigência de passaporte para os venezuelanos.

Nos últimos dias, famílias inteiras de venezuelanos já fazem o percurso até o Peru. Assim como a Colômbia, o Equador e o Peru são países bastante procurados pelos imigrantes pela proximidade e a facilidade do idioma.

Os primeiros veículos saíram à meia-noite desta quinta-feira (23) e até as primeiras horas de hoje (24) mais de 900 pessoas embarcaram. Para o embarque, é exigida a documentação completa e o registro migratório regulado.

O corredor faz parte de uma iniciativa da Secretaria de Gestão de Riscos, que apresentou ao Ministério de Relações Exteriores um plano para os cidadãos venezuelanos que inclui transporte e mesas de ajuda ao longo de todo o território equatoriano.

Pelos dados oficiais, nas últimas semanas 2.500 venezuelanos ingressaram, por dia, pela fronteira entre Equador e Peru. Segundo o governo equatoriano, há 200 mil venezuelanos no país.

Dos 2,3 milhões de venezuelanos no exterior, mais de 1,6 milhão deixou o país de origem a partir de 2015, quando a crise se agravou. Pelo menos 90% deles buscaram apoio em países da região, de acordo com a OIM (Organização Internacional de Migrações). (Com informações da Andina, agência pública de notícias do Equador, e EFE)

COMPARÁVEL AO MEDITERRÂNEOe migrantes da Venezuela está se aproximando de um "momento de crise" comparável à fuga de refugiados pelo Mediterrâneo, afirmou nesta sexta-feira (24) a agência da ONU para migração.

Na próxima semana, representantes de Colômbia, Equador e Peru se encontram para buscar soluções para o grande fluxo de venezuelanos que estão recebendo.

Descrevendo esses eventos como sinais de aviso, o porta-voz da OIM (Organização para a Migração Internacional), Joel Millman, disse que fundos e maneiras de gerenciar a crise devem ser alcançados.

"Isso está escalando para um momento de crise que vimos em outras partes do mundo, particularmente no Mediterrâneo", afirmou.

Na quinta (23), a OIM e o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) pediu que os países da América Latina facilitem a entrada dos venezuelanos. Estima-se que mais de 1,6 milhão tenham deixado o país desde 2015. (Folhapress)

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