O preço dos combustíveis caiu ontem até 49% no Equador por decisão do presidente Jamil Mahuad, que havia autorizado há uma semana um aumento de 174% na gasolina, um dos motivos de uma onda de greves e protestos que bloquearam ruas e estradas de diversas cidades. Em entrevista à imprensa ontem de madrugada, Mahuad informou que os novos preços são 18.644 sucres ou 1,78 dólar para o galão (3,78 litros) de gasolina super (92 octanos) e de 11.965 sucres (1,14 dólar) para o de gasolina comum (84 octanos). O dólar vale 10.500 sucres, pela cotação atual.
Mahuad explicou que a maioria dos deputados se comprometeu a aprovar reformas nas leis tributária e de petróleo que serão responsáveis pela entrada de mais 520 milhões de dólares na economia. O objetivo do presidente é reduzir em cerca de 700 milhões de dólares, o que equivale a 3,5% do PIB, o déficit do orçamento de 1999.
O compromisso do Parlamento contribuiu para a revisão para baixo feita pelo presidente nos preços dos combustíveis. Com o aumento de 174% anunciado dia 11 de março, ele queria obter um adicional de 420 milhões de dólares.
Com a redução dos preços dos combustíveis, todos os insumos, alimentos e outros bens que sofreram elevações deverão retornar aos valores anteriores.
Em protesto contra o aumento anunciado antes, os motoristas de táxi entraram em greve em todo o país, conseguindo a adesão dos transportadores de carga, indígenas, camponeses e trabalhadores no setor de petróleo.
O presidente da Federação Nacional de Motoristas de Táxis, Washington Burbano, afirmou que a redução dos preços da gasolina foi uma vitória da categoria. Disse que levantaria a greve quando a polícia libertar 133 colegas detidos durante as manifestações.
Os protestos desta semana deixaram quatro feridos - três policiais e um civil - 166 detidos e três veículos destruídos, segundo a polícia.
Preocupação As medidas decretadas pelo presidente equatoriano, Jamil Mahuad, não permitirão ‘‘financiar adequadamente o orçamento’’ e porão em risco um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de 400 milhões de dólares, advertiram porta-vozes da área financeira. ‘‘Vejo em risco um provável acordo com o FMI, pois não acho que haja possibilidades de o Fundo aceitar um programa econômico em que a aposta seja simplesmente o preço do petróleo’’, disse à AFP Mauricio Pinto, ex-ministro das Finanças.France PresseComemoraçãoMotoristas de táxi festejam, em Quito, o anúncio sobre a redução dos preços dos combustíveisSantiago Piedra e Reynaldo Mu¤oz
France Presse

mockup