Washington- Durante sessão extraordinária da OEA, Organização dos Estados Americanos, o Equador acusou ontem a Colômbia de ter realizado uma ''violação planejada e premeditada'' de sua soberania, acrescentando que o presidente colombiano Alvaro Uribe mentiu na versão que apresentou dos fatos que levaram à morte um líder guerrilheiro em território equatoriano.
As ações do final de semana foram ''violação planejada e premeditada por parte da força pública da Colômbia para eliminar um acampamento transitório e ilegal das Forças Armadas Revolucionárias da Colombia'' (Farc), expressou a chanceler equatoriana María Salvador, no Conselho Permanente da OEA.
''Não será suficiente uma desculpa diplomática'' da parte de Bogotá, expressou María Salvador, na primeira intervenção feita à tarde na reunião realizadaa pedido de su país.
Segundo ela, a incursão que terminou com a morte do número dois das Farc, 'Raúl Reyes', foi um ''planejado ataque aéreo e terrestre ao território do Equador''. ''Nenhuma força militar regular ou irregular de outro país pode atuar em território do Equador'', acrescentou.
O Equador também pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) que convoque uma ''reunião urgente'' dos chanceleres das Américas, no máximo até o dia 11 de março, para tratar da crise diplomática com a Colômbia.
Quito também solicitou que o Conselho Permanente da OEA designe ''uma comissão para investigar os fatos in loco'', uma posição também apoiada por Brasil e Chile.
Quando o presidente colombiano Alvaro Uribe informou a seu par equatoriano Rafael Correa do episódio ''não lhe disse a verdade, nem ao mundo''.
''O fato foi claramente uma ação deliberada dentro de nosso território'', destacou María Salvador.
Já a Colômbia voltou a pedir na OEA ''desculpas públicas ao governo do Equador e a seu povo'' pelas ações militares do final de semana em território equatoriano que levaram Quito a romper relações diplomáticas com Bogotá; mas quis também uma ''explicação ao povo colombiano'' por parte dos governos do Equador e da Venezuela.
Em um inflamado discurso no Conselho Permanente da OEA, o representante colombiano, Camilo Ospina, reiterou as desculpas de seu governo pelo ataque que terminou com a vida de 'Raúl Reyes', em território equatoriano.
A Colômbia conduziu sábado passado uma incursão militar em território equatoriano, durante a qual morreu o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Raúl Reyes. O fato desencadeou uma crise com o governo de Quito, que rompeu suas relações diplomáticas com Bogotá, e com a Venezuela.
Segundo a versão equatoriana, os corpos encontrados trajavam roupa de dormir, o que ''descaracteriza a versão colombiana de que houve um combate prévio''.
Campanha
A crise entre Colômbia, Venezuela e Equador é assunto na campanha eleitoral dos Estados Unidos, onde todos os candidatos se posicionaram a favor do governo colombiano e exigiram uma saída diplomática.
Os dois pré-candidatos democratas Barack Obama e Hillary Clinton, apresentaram pontos de vista similares, com pequenas divergências, enquanto o republicano John McCain reafirmou, sem rodeios, seu apoio ao governo de Álvaro Uribe na Colômbia.
Hillary Clinton, no entanto, foi a mais dura com o presidente venezuelano Hugo Chávez, ao classificar de 'perigosa' suas ações.
Para Hillary, o Estado colombiano tem todo o direito de se defender contra organizações terroristas e traficantes de drogas que já sequestraram cidadãos inocentes, inclusive americanos.

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