Enxerto celular pode tratar o lupus
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de agosto de 2000
France Presse De Paris 
Altas doses de quimioterapia e enxerto de células sanguíneas permitiu curar pacientes acometidos de uma forma severa de lupus eritematoso, de acordo com estudo norte-americano publicado no semanário britânico The Lancet.
Sete pacientes entre 15 e 51 anos de idade que sofriam de uma forma grave de lupus eritematoso disseminado, com alterações do funcionamento dos rins, problemas vasculares no coração e nos pulmões e transtornos neurológicos, foram submetidos a esse tratamento experimental pesquisado pela equipe da doutora Ann Traynor, do Northwestern Memorial Hospital de Chicago (EUA).
O lupus eritematoso disseminado (chamado também lupus eritematoso sistêmico, SLE em inglês) é uma doença auto-imune cujas causas são desconhecidas, e que se caracteriza pelo fato de o organismo literalmente atacar a si próprio.
A doença afeta principalmente as mulheres, e o nome se deve a uma de suas manifestações, o surgimento de uma mancha vermelha no rosto em forma de lobo.
Apesar dos progressos terapêuticos, em particular por causa da utilização da ciclofosfamida, um anticancerígeno derivado da mostarda, a mortandade dos enfermos que sofrem formas disseminadas graves de lupus continua alta, à ordem de 1% ao ano.
A idéia consiste em, mediante tratamento adequado, liberar o organismo do paciente de determinados glóbulos brancos doentes, os linfócitos T que incorporam à sua memória um reflexo de agressão contra o corpo do indivíduo.
As células-mãe sanguíneas foram extraídas de pacientes aos quais previamente haviam sido ministrados fatores de crescimento, a fim de favorecer essa extração. As células foram depois reinjetadas nos pacientes a fim de repovoar a medula óssea.
A restituição mediante transfusão de suas próprias células-mãe sanguíneas permite depois que o paciente repovoe por si mesmo sua medula óssea e produza, assim, todas as células sanguíneas necessárias (glóbulos brancos, glóbulos vermelhos, etc.), dispondo de linfócitos a priori inofensivos.
A terapia testada pelos médicos americanos recebeu a aprovação das autoridades sanitárias dos Estados Unidos, a FDA (Food and Drugs Administration), informaram os autores.
Mas ainda está por ser checada a durabilidade da remissão da enfermidade, destacam os especialistas.


