Enviado dos EUA depara com agitação e violência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de dezembro de 1998
DPA e France-Presse 
Uma nova onda de violência entre palestinos e israelenses e as exigências de eleições antecipadas em Israel marcaram o início de uma nova missão do enviado norte-americano ao Oriente Médio, Dennis Ross, à região. Ross se reuniu ontem com o premier israelense, Benjamin Netanyahu, que enfrenta a pior crise de seu governo, com a oposição pressionando pela antecipação das eleições. À noite, o negociador dos Estados Unidos se reuniu com o presidente da Autoridade Nacional palestina, Yasser Arafat, em Ramalhah, na Cisjordânia. O objetivo de Ross é preparar a visita a Israel e aos territórios palestinos do presidente norte-americano, Bill Clinton, que começa no sábado. Clinton pretende dar um empurrão no estagnado processo de paz no Oriente Médio.
A violência recrudesceu nos territórios palestinos ocupados por Israel depois do anúncio de Tel Aviv de que não libertaria todos os presos políticos palestinos. Vários manifestantes foram feridos em choque com tropas israelenses em Jerusalém Oriental e cidades da Cisjordânia. A escalada da violência pode se agravar depois que colonos judeus ocuparam ontem, com casas móveis, mais uma colina da Cisjordânia.
Pressão política Um dia depois do adiamento da votação sobre a autodissolução do parlamento israelense, até mesmo membros das fileiras governistas defendiam ontem a antecipação de eleições em Israel. O ministro das Ciências, Silvan Shalom, disse: Talvez seja melhor que a iniciativa de propor a antecipação das eleições parta do governo e não da oposição. Já o ministro do Meio Ambiente e vice de Netanyahu, Rafael Eitan, afirmou: É uma vergonha o que se passou ontem. Fizemos um papel ridículo. Os norte-americanos nos olham como para formigas. Nestas condições, as eleições antecipadas são a única saída.
O parlamento israelense adiou por pelos menos duas semanas a votação que pode derrubar o premier. Uma maioria entre os membros do parlamento a favor do projeto de lei apresentado pela oposição abriria o caminho para a realização de eleições antecipadas no país.


