Entre ameaças e ataques, a guerra entre o Irã e os EUA se intensifica
Estados Unidos fizeram nova série de bombardeios e o Irã atacou países da região aliados a Washington
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quinta-feira, 16 de julho de 2026
Estados Unidos fizeram nova série de bombardeios e o Irã atacou países da região aliados a Washington
France Presse 

Os Estados Unidos bombardearam o Irã, e Teerã respondeu com represálias contra os países aliados de Washington no Golfo nesta quinta-feira (16), sem perspectiva de que o conflito no Oriente Médio diminuísse, apesar das tentativas de mediação do Paquistão para retomar as negociações.
“Os ataques continuam e são tão violentos que minhas mãos são tremendas”, contou à AFP Hani, um professor iraniano de 34 anos que vive na cidade de Ahvaz, no sudoeste do país. "Houve pelo menos 11 ou 12 explosões. Tenho a impressão de que meus ouvidos vão explodir", acrescentou.
Os Estados Unidos anunciaram na tarde desta quinta-feira que lançaram uma nova série de bombardeios para "degradar ainda mais as capacidades militares iranianas".
Mais cedo, a mídia iraniana noticiou ataques com mísseis contra a ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, e em Bandar Abbas.
Por sua vez, o Irã atacou países da região aliados de Washington, e ambos os lados continuam fazendo ameaças com a mesma intensidade de meses atrás.
Até ao momento, as instalações petrolíferas e de gás dos países do Golfo têm sido poupadas pelos ataques iranianos, mas Teerã ameaça reduzir a nada a infraestrutura do Oriente Médio caso as suas próprias instalações venham a ser atacadas.
Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país bombardeará as pontes e as usinas de energia do Irã caso os iranianos não retornem à mesa de negociações.
No entanto, a Casa Branca declarou nesta quinta-feira que o presidente continua aberto a uma solução diplomática e que os contatos com o Irã prosseguem.
“Estamos conversando com eles, mas, mais uma vez, o presidente não permitirá que eles ataquem embarcações no estreito sem que haja consequências”, afirmou Karoline Leavitt, porta-voz do governo dos Estados Unidos.
Os confrontos foram retomados em 7 de julho, após ataques contra navios no Golfo apontados ao Irã. As hostilidades não têm precedentes desde o cessar-fogo de abril.
A guerra, desencadeada em 28 de fevereiro pelos bombardeios israelenses e americanos, provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
O Paquistão, mediador entre as partes, pediu nesta quinta-feira o "fim da violência e a retomada das discussões" no âmbito do protocolo de acordo assinado em meados de junho e que foi desmantelado.
Também pediu o “retorno à normalidade no Estreito de Ormuz”. No fim da semana passada, o Irã voltou a bloquear a via marítima, essencial para o trânsito mundial de hidrocarbonetos e, em represália, os Estados Unidos restabeleceram na terça-feira o bloqueio aos portos iranianos.
HOSPITAL EVACUADO
Os preços do petróleo permaneceram estagnados nesta quinta-feira, após a alta no início da semana, com o barril de Brent negociado por volta de 85 dólares.
O Exército dos Estados Unidos anunciou ataques contra alvos militares "utilizados para ameaçar os navios que transitam livremente pelo Estreito de Ormuz".
Mas o Irã afirma que as forças americanas também atacaram infraestruturas civis, como o aeroporto de Semnan, a 250 km da capital.
Um hospital em Ahvaz (sudoeste) precisou ser evacuado após bombardeios americanos em suas imediações, denunciaram as autoridades iranianas, que chamaram o episódio de "ataque bárbaro".
"Não sobrevivemos, sobrevivemos. Que Deus acabe com a guerra e, depois, com as dificuldades econômicas", afirmou Nadin, uma professora de 27 anos que vive na província do Sistão-Baluchistão, no sudeste do país.
Em Teerã, até agora à margem dos bombardeios, a vida segue seu curso e seus habitantes acompanham os últimos acontecimentos sem sinais aparentes de inquietação, apesar da ativação, durante a noite, de sistemas de defesa antiaérea na periferia da cidade.
Mais de 30 civis morreram desde que os confrontos foram retomados, segundo as autoridades iranianas, que também comunicaram o falecimento de sete militares.
DRONES
O Irã respondeu com ataques de drones contra Bahrein, Kuwait e Jordânia.
No Iraque, um drone atingiu quinta-feira um navio nesta frente à costa de Basra, onde há um importante terminal petrolífero.
Em Teerã, depois de uma faixa com Donald Trump em um caixão, um grande painel vermelho organizado em um cruzamento afirma em inglês: "Quem será o próximo?" ('quem é o próximo?' em inglês). As letras D e T, iniciais do nome do presidente americano, estão escritas em guardas. E a primeira aparece estilizada para representar seu famoso cabelo.


