Entra em vigor o tratado contra minas
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segunda-feira, 01 de março de 1999
Das agências 
A convenção internacional contra o uso e a fabricação de minas terrestres entrou ontem em vigor, depois de ter sido ratificada pelos parlamentos de 65 países. A cerimônia que marcou a entrada em vigor da Convenção para a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoais e sua Destruição foi realizada na cidade canadense de Ottawa, onde se iniciou o movimento contra esses explosivos.
Em uma cerimônia celebrada na sede das Nações Unidas de Genebra, os ativistas conclamaram as grandes potências - como Estados Unidos, China e Rússia -, que se negaram a assinar o acordo até agora, para que destruam uma arma que mutila mais de 25.000 pessoas ao ano em todo o mundo.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, descreveu a entrada em vigor do tratado como um marco. É um dia cuja chegada era prevista por poucos e cuja importância para os milhões de vidas que podem ser salvas desta arma bárbara não pode ser subestimada, disse ele durante a cerimônia.
Kofi Annan pediu que o tratado tenha efeito também nos campos onde essas armas bárbaras ainda estão enterradas; fez um apelo aos 134 participantes do documento para irem além dos seus compromissos diplomáticos.
Em mensagem lida em Genebra, ao entrar em vigor o tratado que procura proibir essas minas, Kofi Annan declarou ser necessário lutar para aplicá-lo, não apenas nas capitais, mas também nos campos e nas selvas onde essas armas estão espalhadas.
O vice-presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Eric Roethlisberger, lembrou o imenso desafio que representa este tratado já que existe um trabalho perigoso e caro a ser feito para neutralizar de 70 a 110 milhões de minas enterradas em territórios de 64 países.
A entrada em vigor do tratado foi celebrada com o repicar de sinos em igrejas da Austrália, Brasil, Canadá, França, Itália, Noruega, Nova Zelândia, Sri Lanka, Suíça e Estados Unidos.
Nenhum dos principais fabricantes de minas está entre os 65 países que ratificaram o documento ou entre os 133 que assinaram a convenção. Os Estados Unidos, a China e a Rússia, os maiores produtores de minas do mundo, se recusaram a assinar a convenção por razões internas.
Em discurso em Nova York por motivo da cerimônia de Ottawa, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, exortou os países que ratificaram a convenção a implementá-la não só em suas capitais, como também nos bosques e campos onde existem minas.
A convenção foi adotada em Oslo, em setembro de 1977, após anos de negociações. Estima-se que cerca de cem milhões de minas estejam enterradas em vários países. Esses explosivos causam sérios ferimentos em milhares de pessoas todos os anos, além de causar a morte de centenas.
A falecida princesa Diana de Gales foi uma das personalidades mundiais que mais se bateu pela adoção da convenção contra as minas. Por sua luta contra esses artefatos a organização Campanha Internacional contra as Minas Terrestres e sua porta-voz, a norte-americana Jody Williams, ganharam o Prêmio Nobel da Paz de 1997.
Várias crianças entregaram a Jody Williams desenhos para serem dados às menos afortunadas, mutiladas por terem tocado em minas camufladas como brinquedos ou por terem acompanhado seus pais nos campos do Camboja.
Os EUA não aderiram ao tratado, invocando a obrigação de proteger seus soldados na linha de demarcação entre as duas Coréias.
Jody Williams ficou desconcertado com o fato de que a única superpotência, que tem a tecnologia militar mais avançada do mundo, se encontre entre os escassos países que não podem decidir a abandonar as minas antipessoais.


