Entendimento no estudo do genoma
Os chefes das equipes científicas, uma pública e outra privada, que estabeleceram o mapa do genoma humano, minimizaram sua rivalidade e classificaram de promissora a sua colaboração, em declarações feitas ontem. O chefe dos cientistas da empresa privada, Celera Genomics, de Rockville (Maryland), J. Craig Venter se uniu ao chefe do projeto público internacional Genoma Humano (HGP, Human Research Project), Francis Collins, para apresentar formalmente o material em Washington, ontem.
O evento ocorreu simultaneamente com outras entrevistas similares em Londres, Paris e Berlim. Também ocorrerá uma em Tóquio, hoje.
Foram encontradas grandes quantidades de similaridades nas conclusões do material apresentado pelas duas equipes, apesar do enfoque diferente, declarou Collins.
Os cientistas do projeto público descreveram a sequência e a análise do genoma humano num artigo na revista Nature, enquanto a equipe do Celera Genomics publicará seus resultados na revista Science, esta semana.
É um desses raros momentos da ciência em que se recebe a confirmação instantânea de sua informação, afirmou Venter, descrevendo a situação gerada pela publicação dos dois trabalhos.
Acredite, alguns de nós teríamos preferido encontrar algumas diferenças, mas os resultados são similares significam que podemos nos basear nestas informações sem discordar sobre seus aspectos fundamentais, garantiu Venter.
Os humanos possuem 30.000 genes, bem menos que os 100.000 inicialmente pensados, e apenas o dobro da quantidade dos genes da pequena mosca da fruta, informaram os cientistas.
Ao sequenciar o genoma humano os cientistas compreendem como trabalham os genes e poderão encontrar caminhos potenciais para combater ou prevenir doenças e aumentar enormemente a expectativa de vida dos seres humanos.
Na próxima década a medicina preventiva poderá ser individualizada, já que será possível prever o risco potencial das diversas infecções de cada pessoa, prevê Collins.
Os cientistas não poderão criar as terapias sem a ajuda de empresas dispostas a investir capital, disse Eric Lander, um dos principais pesquisadores do projeto público.
Prevejo muito mais união (pública-privada) para os próximos anos, garantiu.
Não há um número suficiente de cientistas vivos neste planeta para realizar avanços significativos na compreensão de toda esta informação em sua real complexidade por muitas décadas, manifestou Venter, ao se referir à magnitude da tarefa para o futuro.
A competição nesta corrida é contra a morte, o câncer e outras doenças, agregou.
Considerando todas as outras espécies das quais ainda não se decodificou o genoma, é de se esperar que no futuro exista muito mais cooperação em avançar e muito menos coincidência da pesquisa, opinou Venter.
A equipe pública do Projeto Genoma Humano teve a colaboração de centenas de outros pesquisadores nos Estados Unidos, Japão, França, Alemanha e China.
Ambas as equipes concordaram em se reunir em abril para comparar seus dados, conforme informou o cientista Francis Collins.





