Associated Press
De Oslo, Noruega
Homenageando a memória de Yitzhak Rabin, o presidente norte-americano Bill Clinton conclamou ontem em Oslo, Noruega, os líderes árabes e israelenses a se espelhar no exemplo do primeiro-ministro assassinado e comprometerem-se novamente com sua visão de paz para o Oriente Médio.
Na cerimônia em homenagem a Rabin, assassinado há quatro anos por um judeu extremista que se opunha ao processo de paz, Clinton afirmou que se Rabin estivesse vivo para ver o encontro, ele diria: ‘‘Isto é muito bom, mas se vocês querem realmente me homenagear, terminem o trabalho’’. Segundo o presidente dos Estados Unidos, há agora uma chance real para o estabelecimento da paz, de uma paz duradoura entre Israel e seus vizinhos.
Clinton, que quer ver o acordo de paz no Oriente Médio como parte de seu legado presidencial, encontrou-se depois com Barak e Arafat com o objetivo de adiantar uma agenda para o estabelecimento do acordo de paz final.
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak prometeu proteger os ‘‘interesses de segurança e necessidades vitais’’ de Israel.
O líder palestino Yasser Arafat, sinalizando as futuras dificuldades apesar de expressões de boa vontade, pediu a resistência à violência, ao terror, à ocupação, ao exílio e aos assentamentos, em uma clara referência às objeções palestinas aos assentamentos judeus na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. ‘‘Vamos juntos remover os obstáculos’’, disse.
Numa cerimônia anterior, Barak disse que está buscando segurança para Israel e um acordo de paz duradouro com os palestinos. ‘‘A paz exige dificuldades e dor, mas é preferível a tudo. Juro a você, Yitzhak, um soldado que caiu na batalha pela paz, que estamos determinados a dar à sua morte um significado seguindo o seu legado’’, declarou Barak.
Arafat por sua vez anunciou o nascimento de uma nova era no Oriente Médio e assinalou que o acordo de 1993 negociado por ele e Rabin em Oslo, provou que ‘‘o que muitos consideravam então impossível, é na verdade, possível’’.
O líder palestino disse ainda que Israel deveria voltar às fronteiras de seu território em 1967, e alertou contra o ‘‘perigo destrutivo dos assentamentos israelenses’’.
A viúva de Rabin, Leah Rabin, dizendo que seu marido ‘‘caiu no altar da paz’’, exortou Barak e Arafat a continuar o trabalho de Rabin. O ex-primeiro-ministro israelense Shimon Peres encorajou Arafat e Barak a superar os difíceis problemas e a priorizar a construção da boa vizinhança no Oriente Médio, idealizada por Rabin.
Ontem à noite, Clinton disse que outra reunião de cúpula para preparar um acordo sobre o estatuto final dos territórios palestinos acontecerá em breve, sem precisar o lugar ou a data. O primeiro-ministro israelense também declarou que está ‘‘muito satisfeito’’ com os resultados da reunião.Clinton pede a Barak e Arafat o estabelecimento de uma paz duradoura entre Israel e seus vizinhos
France PresseNo alto, da esq. p/ a dir.: Ehud Barak, Bill Clinton e Yasser Arafat. Ao lado, o presidente da Autoridade Palestina presta homenagem diante do retrato de Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelense assassinado há quatro anos

mockup