Encontro de Vênus com o Sol será visto pelos terráqueos
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sexta-feira, 04 de junho de 2004
Gérard Sevestre<br> France Presse 
Paris - Em um fenômeno astronômico excepcional, o planeta Vênus passará em frente ao Sol na próxima terça-feira pela primeira vez desde 1882, evento que poderá ser observado por três quartos dos terráqueos, se as condições meteorológicas forem favoráveis.
Quando ocorre o eclipse do Sol ou da Lua, este trânsito de Vênus se dá quando a Estrela d'Alva, a Terra e o Sol estão alinhados. Em função das inclinações diferentes das órbitas de Vênus e do nosso planeta, o fenômeno ocorre duas vezes a cada 120 anos, aproximadamente, com oito anos de intervalo entre uma ocorrência e outra. Assim, depois de 2004, Vênus voltará a passar em frente ao Sol em 5 de junho de 2012 e depois só em 2117 e 2125.
A passagem de Vênus entre a Terra e o Sol é em geral visível em grande parte do nosso planeta. Segundo o Instituto de Mecânica Celeste e Cálculo de Efemérides (IMCCE), em 8 de junho começará às 5 horas TU (no Japão e dez minutos depois no oeste da Europa e da África). No continente americano o fenômeno só poderá ser parcialmente observado.
A passagem de Vênus em frente ao Sol durará seis horas, aproximadamente, mas sua fase observável será de pouco mais de cinco horas e meia. No total, cinco destes encontros entre Vênus e o Sol puderam ser observadas no curso da história: em 1639, 1761, 1769, 1874 e 1882.
Desta vez, Vênus esconderá apenas um trinta avos do Sol. O fenômeno tem hoje somente uma dimensão lúdica, pedagógica e midiática, mas no passado, sua importância científica foi grande. De fato, foi a observação do trânsito de Vênus que permitiu, em 1874 e 1882, medir a distância entre a Terra e o Sol, unidade de medida de todas as outras distâncias dos corpos celestes.
Até o século XIX, Vênus foi considerado o planeta ''gêmeo'' da Terra: com um raio médio de 6.052 km, quando o do nosso planeta é de 6.378, e uma densidade de 5,24 g/cm3, quando a da Terra é de 5,51. Hoje sabemos que na verdade Vênus é um inferno, embora pouco conhecido, devido entre outras coisas à sua atmosfera espessa, que somente as observações por radar conseguiram atravessar recentemente.
A razão deste inferno tem um nome familiar: efeito estufa. Vênus recebe menos da metade da energia solar que a superfície da Terra, mas seu solo reflete, em infravermelho, a energia solar que chega à sua atmosfera, composta em 97% de dióxido de carbono. Isto se deve a que o monóxido de carbono é particularmente eficaz para absorver raios infravermelhos.
A atmosfera de Vênus é reaquecida desta forma. Vênus é um planeta seco, onde não cai água das nuvens que o cobrem permanentemente, mas ácido sulfúrico, que se evapora antes de tocar o solo. Ao contrário da Terra, Vênus não tem campo magnético, talvez porque gire muito lentamente sobre si mesmo, em 243 dias, enquanto o ano venusiano dura 224,7 dias.


