O presidente dos Estados Unidos Bill Clinton recebeu ontem à tarde na Casa Branca o líder palestino Yasser Arafat, numa tentativa de dissipar as reticências palestinas a seu plano de paz no Oriente Médio. O presidente da Autoridade Palestina chegou às 14H40 locais para uma reunião crucial, no contexto dos últimos esforços de Clinton – que no dia 20 de janeiro sai da presidência – para pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos.
Acompanhado do negociador Saeb Erakat, do ministro da Informação, Yasser Abed Rabbo, e do embaixador palestino em Washington, Hassan Abdul Rahman, Arafat não fez declarações ao chegar, limitando-se a cumprimentar a imprensa muito rapidamente. Poucas horas antes, um alto dirigente palestino descartou a possibilidade de se conseguir um acordo de paz antes da conclusão do mandato de Clinton.
‘‘Não há tempo para um acordo, mas seria positivo que fossem registrados progressos antes de sua partida’’, disse à imprensa Nabil Chaath, ministro palestino da Cooperação Internacional. ‘‘Arafat não veio a Washington para aceitar ou recusar (as propostas americanas), mas para ouvir o presidente Clinton e informá-lo da posição palestina, das objeções palestinas (a alguns pontos do plano) e os pontos de acordo e desacordo’’, disse Chaath.
Clinton propôs a israelenses e palestinos trabalhar tendo como base uma transferência ao futuro Estado palestino dos bairros árabes de Jerusalém Oriental.
O plano também sugeriu entregar aos palestinos 95% da Cisjordânia e 100% da Faixa de Gaza, ao preçio de uma renúncia ao direito de retorno dos cerca de 3,7 milhões de refugiados registrados desde 1948.
Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, afirmou duvidar que um acordo possa ser selado antes da eleição de 6 de fevereiro em Israel, advertindo que as negociações não podem prosseguir em meio à violência.
‘‘Do nosso ponto de vista sobre a situação no momento, o comportamento de Arafat e suas posições e os ataques terroristas dos últimos dias – em alguns dos quais estiveram envolvidos membros da Autoridade Palestina –, não podemos continuar os contatos e as conversações com os palestinos’’, afirmou Barak ao Canal 1 da TV israelense.
Barak também disse ter ordenado, no início da atual revolta palestina, há três meses, que os comandantes das Forças Armadas israelenses se preparem para a possibilidade de uma guerra regional em escala total. E acrescentou: ‘‘Não esperamos por isso. Não desejamos isso. Faremos o melhor para que isso não ocorra. Mas temos de preparar-nos e, se isso ocorrer, temos de vencer.’’

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