Encontro busca cessar-fogo em Caxemira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de agosto de 2000
Associated Press e France Presse De Srinagar 
O principal grupo guerrilheiro islâmico da Caxemira manteve ontem conversações sem precedentes com o governo indiano visando a implementação de um cessar-fogo de longo prazo que interrompa o derramento de sangue na província indiana do Himalaia, onde só nos dois últimos dias 102 pessoas foram mortas em tiroteios.
O secretário do Interior indiano Kamal Pande reuniu-se com um veterano líder separatista e quatro comandantes do grupo guerrilheiro Hezb-ul Mujahedin, o maior dos grupos em luta contra o controle indiano da Caxemira. É o primeiro encontro entre governo e guerrilha de que se tem notícia desde 1989, quando os militantes muçulmanos iniciaram a guerra ou para tornar a Caxemira independente ou para anexar a província ao vizinho Estado islâmico do Paquistão.
Após o encontro, o ministro Pande anunciou que as duas partes aprovaram a formação de uma comissão para reforçar o cessar-fogo já declarado em 24 de julho. Temos que discutir algumas bases, mas as duas partes estão de acordo em continuar negociando, disse o ministro, sem especificar um calendário de negociações.
O acordo foi obtido depois de 70 minutos de conversações em Srinagar, capital de verão da Caxemira.
Um dos comandantes do Hezb-ul Mujahedin, com o rosto encoberto por um lenço, disse que o grupo está levando a sério a proposta de um cessar-fogo prolongado.
As autoridades indianas responsabilizaram os demais grupos rebeldes, e não o Hezb-ul Mujahedin, pelas mortes ocorridas nos últimos dias.
Os incidentes dos dois últimos dias aconteceram quando o governo indiano se preparava para novas negociações com os grupos guerrilheiros na Caxemira, onde mais de 25 mil pessoas morreram durante os 11 anos de rebelião separatista islâmica.
O primeiro-ministro indiano Atal Bihari Vajpayee responsabilizou rebeldes islâmicos apoiados pelo Paquistão pelos ataques, dizendo que eles são uma represália contra o cessar-fogo acertado em 17 de julho entre Nova Délhi e o Hezb-ul Mujahedin, principal grupo islâmico da região. Na versão de Vajpayee, os demais grupos rebeldes assim expressaram sua rejeição ao cessar-fogo.
Mas testemunhas e sobreviventes dos massacres disseram que soldados e paramilitares indianos também foram responsáveis por muitas das mortes ocorridas nos confrontos.


