Associated Press
De Kampala
Cadáveres estrangulados e mutilados de 153 membros da seita ugandense Movimento para a Restauração dos Dez Mandamentos, incluindo 59 crianças, foram encontrados ontem em três valas comuns no povoado de Rukungiri, no oeste de Uganda, a poucos quilômetros de uma igreja onde pelo menos 330 pessoas morreram em um incêndio na sexta-feira passada.
Segundo a polícia ugandense, o incêndio no complexo da seita apocalíptica em Kanungu, que inicialmente estava sendo considerado como ‘‘um suicídio coletivo’’, agora está sendo tratado ‘‘definitivamente como assassinato coletivo’’.
O porta-voz da polícia, Assuman Mugenyi, disse que se acreditava que os adultos haviam participado do incêndio, mas ‘‘agora que descobrimos esses corpos as coisas mudaram’’.
Mugenyi informou à imprensa que a polícia encontrou os 153 corpos em valas próximas a uma casa abandonada enquanto procurava uma filial da seita. De acordo com patologistas, os corpos devem ter sido enterrados há seis semanas.
Mugenyi disse que a polícia está investigando outros distritos onde acredita-se que o grupo tenha filiais. Calcula-se que a seita tinha entre mil e 1.500 membros em 9 distritos de Uganda, que tem 21 milhões de habitantes.
A polícia inicialmente havia informado que os líderes da seita – Joseph Kibweteere, de 68 anos, autodenominado ‘‘profeta’’, e Cledonia Mwerinde, de 40 anos – haviam morrido no incêndio, mas aparentemente eles abandonaram a igreja antes da tragédia.
Um sobrevivente de 17 anos, que perdeu a mãe e a irmã no incêndio, disse ao jornal New Vision ter visto os dois abandonando o acampamento na madrugada de sexta-feira, carregando pequenas malas. O jovem Ahimbisibwe contou que levantou de madrugada à procura de comida e quando voltou ao complexo da seita encontrou tudo em chamas.
Na terça-feira, mais seis corpos em decomposição de pessoas supostamente assassinadas foram encontrados nas latrinas do complexo do movimento religioso.