A comunidade internacional lançou-se numa verdadeira corrida contra o relógio para fazer chegar ajuda e socorro a centenas de milhares de moçambicanos, vítimas das piores enchentes registradas no país em quase 50 anos. Ante a extrema urgência e o agravamento da situação, a comunidade internacional tenta enviar para o país uma ajuda suplementar.
Quando a situação parecia melhorar na região, novas inundações devastaram mais uma vez o sul de Moçambique, onde pelo menos 200 pessoas morreram e 800 mil se viram atingidas pela catástrofe.
Este número deve aumentar, na medida em que melhorarem as comunicações.
As organizações internacionais fizeram novos apelos para tentar fazer chegar ajuda ao país. Pretória, Washington, Londres, Lisboa, Dublin já responderam ao apelo de facilitar o transporte aéreo. O Programa Mundial de Alimentos da ONU prevê enviar rações de emergência para 300 mil pessoas.
A porta-voz do PAM, Christiane Berthiaume, insistiu na deterioração da situação e na ameaça que paira sobre a vida de milhares de pessoas. Berthiaume destacou que a falta de helicópteros era dramática.
Várias agências da ONU receberam 13,5 milhões de dólares de promessas de donativos para as vítimas em Moçambique. O governo local calcula suas necessidades em 65 milhões de dólares.
Segundo o PAM, dia 24 de fevereiro foi desbloqueado um primeiro financiamento de US$ 4 milhões para a alimentação de 110 mil pessoas durante três meses, além de 2,8 milhões de dólares suplementares para aumentar a capacidade de ajuda aérea.
SEgundo a agência 1.200 toneladas de alimentos já foram transportados para 50 pontos de distribuição com o auxílio de sete helicópteros e cinco aviões sul-africanos.
A África do Sul enviou ontem dois helicópteros e dois aviões a mais, que se somam a outros oito enviados quando começaram as inundações há três semanas; 7.600 pessoas foram salvas pelos sul-africanos, 2 mil delas nas últimas 24 horas, declarou o general Daan Boshoff.
O governo britânico decidiu enviar um total de 2,2 milhões de libras (4 milhões de dólares). Os Estados Unidos elevaram a 1,7 milhão de dólares sua ajuda e organizam uma central telefônica para receber donativos dos americanos.
A Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que já havia repassado US$ 600 mil em ajuda, concederá um milhão adicional para as operações de socorro e de transporte aéreo.
A Irlanda anunciou a entrega de 400 mil libras (US$ 507 mil) de ajuda para Moçambique enquanto Portugal enviará 40 toneladas de alimentos, remédios, barracas, barcos infláveis, cobertores.
As cheias do Limpopo e do Save causaram a morte de 36 pessoas na província de Sofala (sul) e pelo menos 17 mil pessoas estão bloqueadas.
As enchentes e as chuvas torrenciais provocaram pelo menos 371 mortes em Moçambique, África do Sul, Zimbabue e Botswana, segundo contagem feita pela AFP.