Enchente pode matar vinte milhões
Até 20 milhões de pessoas podem morrer de fome ou de doença, se Bangladesh não receber rapidamente ajuda de outros países para limitar o impacto das inundações que afetam atualmente o país, afirmou Michael Elmquist, do programa de assistência às vítimas de desastres da ONU. Segundo ele, sem ajuda internacional, entre 10 e 20 milhões de pessoas não conseguirão sobreviver, vítimas da fome, ou das doenças causadas pelas cheias. Se as águas continuarem subindo nos próximos cinco dias, cerca de 10 milhões de pessoas poderão morrer, estimou. Se as enchentes prosseguirem por mais 10 dias, as vítimas poderão chegar a 20 milhões, acrescentou. O governo teria que usar todos os recursos disponíveis para fornecer alimentos e atenção médica às vítimas (...) até àquelas que estejam em regiões distantes, afirmou Elmquist.
Já o representante permanente da ONU em Bangladesh, David Lockwood, advertiu que existem fortes possibilidades de fome nos próximos quatro meses. As inundações, as mais longas da história de Bangladesh, já causaram a morte de 800 pessoas e deixaram 30 milhões sem teto em dois meses, afetando dois terços do país.
As maiores inundações registradas até então no país foram as de 1988 e 1954, que duraram 23 e 46 dias respectivamente.
Situação grave também na China A Cruz Vermelha Internacional e a Cruz Vermelha chinesa informaram ontem que a situação catastrófica depois das inundações na China durará ainda muito tempo, que a ajuda é insuficiente e que também persiste o risco de epidemias. O número de vítimas é contraditório. Oficialmente se fala há semanas de 3.004 mortos, porém o jornal de Hong Kong Cheng Ming calcula em 13.520 o número de vítimas fatais e estima que outras 753.000 se encontram feridas ou doentes.
O jornal cita como fonte um documento interno do governo e do departamento de luta contra as inundações em Pequim, segundo o qual o Exército de Libertação Nacional enviou 320.000 oficiais e soldados para trabalhar nas tarefas de resgate, 520 dos quais morreram. Não existe confirmação oficial destas informações, e a Cruz Vermelha chinesa continua falando de um total de 3.004 mortos. O número de atingidos ascende a 223 milhões de pessoas em 29 províncias e cidades de administração autônoma.
A situação no norte do país é pior que no sul, porque o inverno nessa região é mais rigoroso e se necessita urgentemente de agasalhos para os desabrigados.
Até agora, porém, o Governo da China se negou a fazer um apelo oficial aos outros países para ajudar no socorro às vítimas das inundações.France PresseTragédiaDakha, a capital, sob as águas: maior e mais longa inundação traz ameaça de fome, doença e morteFrance Presse





