Brasília - O presidente espanhol Mariano Rajoy defendeu ontem a decisão tomada de solicitar o empréstimo de 100 bilhões de euros à Europa para sanear o sistema bancário espanhol. Ele disse que, sem as reformas, haveria o risco de uma ''intervenção europeia'' na Espanha.
''Ninguém me pressionou, eu que pressionei para obter uma linha de crédito para resolver um problema que existe nos bancos'', destacou Rajoy em entrevista coletiva no Palacio de Moncloa, depois do anúncio de que seu governo recorrerá à Comunidade Europeia na busca de ajuda ao sistema financeiro.
O chefe do Executivo não só negou que tivesse recebido pressões de Bruxelas e da Alemanha para que solicitasse um empréstimo mas também tratou a ajuda (dos países europeus) como uma decisão soberana que tinha resistência das autoridades europeias.
''Caso não fosse feito isso, haveria uma intervenção no reino da Espanha'', disse Rajoy.
O governo espanhol anunciou ontem que solicitava um empréstimo para recapitalizar o sistema bancário, desde que o custo desse empréstimo não implicasse novos sacrifícios para a sociedade espanhola como exigia Bruxelas. A decisão, que faz da Espanha o quarto sócio europeu a ser ajudado depois da Grécia, Irlanda e de Portugal, foi oficializada pelo ministro da Economia, Luis de Guindos, por meio de uma videoconferência com as autoridades da Comunidade Europeia.
Cargo em risco
Mensagens contraditórias, incoerências e omissão de declarações públicas por parte do chefe de governo: a gestão ruim do resgate europeu aos bancos espanhóis, que Madri quis apresentar como um êxito, desgastou a imagem do presidente do executivo conservador, Mariano Rajoy, e pode custar-lhe seu cargo, dizem analistas.
''É um êxito difícil de crer'', explica à AFP o filósofo e analista político, Josep Ramoneda. ''Não há ninguém no mundo que dê 100 bilhões em troca de nada'', completa ele, convencido de que, contrariamente ao que afirma o governo espanhol, a ajuda europeia levará a mais austeridade.
''A mensagem tranquilizadora de Mariano Rajoy, que afirmou não ter cedido a nenhum tipo de pressão, demonstra a ocultação da realidade que ele está praticando há algum tempo'', considera.
Para o analista, Rajoy está completamente consciente de que um resgate lhe custaria o cargo e por isso tenta maquiá-lo. (Com France Presse)

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