Emoção no enterro de Madre Teresa
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sábado, 13 de setembro de 1997
Tony Lawrence France Presse Calcutá 
France PresseBênção finalO corpo de madre Teresa recebe a bênção final, antes de ser sepultado, na sede da Ordem que ela própria criou. Rainhas, presidentes, primeiras-damas com marginalizados e doentes prestaram as últimas homenagens à mulher que dedicou toda sua vida para atender os mais pobres entre os pobresMadre Teresa foi enterrada ontem em Calcutá, onde um milhão de pessoas lhe prestaram uma última homenagem durante o cortejo pelas ruas da cidade. A Índia e o mundo inteiro honraram sua memória de forma solene, enquanto milhares de cidadãos anônimos tentavam tocar seu féretro.
Às 13h50 locais (6h20 de Brasília), um pelotão de gurkas, soldados de elite do exército indiano, dispararam quatro salvas de fuzis para indicar que naquele momento a religiosa já estava enterrada em sua casa, o convento das Missionárias da Caridade, ordem fundada por ela em 1950. Chovia e quatro clarins entoaram o toque de silêncio.
Estas honras militares, reservadas na Índia a presidentes e primeiros-ministros, foram concedidas à madre Teresa, que morreu no último dia 5 de parada cardíaca, pelo governo de um país onde trabalhou por mais de meio século a serviço dos desamparados.
Madre Teresa de Calcutá acendeu uma chama de amor (...) O mundo necessita da luz desta chama. Os pobres ainda estão conosco, devem estar no centro de nossas preocupações pessoais, de nossa ação política, de nosso compromisso religioso. A Igreja agradece o seu exemplo único e promete continuá-lo. Querida madre Teresa, descanse em paz. Querida madre Teresa, rogue por nós. Amém., disse o Papa João Paulo II em uma mensagem lida por seu secretário de Estado, monsenhor Angelo Sodano, no funeral da freira, marcado pela homenagem de representantes de todas as religiões.
No estádio de Netaji de Calcutá, a populosa capital de Bengala, o féretro aberto de madre Teresa, vestida com o tradicional sari branco com orlas azuis de sua ordem, coberta pela bandeira indiana e com um crucifixo e um rosário nas mãos postas, foi colocado sobre um estrado branco.
Nas primeiras horas da manhã, ainda com bom tempo, o féretro da Prêmio Nobel da Paz havia iniciado uma lenta procissão da Igreja de São Tomás até o estádio coberto. Oito militares a colocaram sobre uma carreta de canhão, a mesma utilizada nos funerais de Mahatma Gandhi, em 1948, e Jawaharlal Nehru, em 1964.
Sob um calor intenso, o cortejo funerário percorreu vários quilômetros conduzido por veículos militares. Na carreta, adornada com flores brancas, seis irmãs e sacerdotes vestidos de branco rezavam.
Vários oficiais usando turbantes encabeçavam a procissão, que avançou lentamente pelas ruas de Calcutá.
Na passagem pela avenida de Jawaharlal Nehru, dezenas de pessoas romperam as barreiras de bambu para acompanhar o féretro, primeiro caminhando e depois correndo.
Após um trajeto de cinco quilômetros até o estádio, que estava repleto, o féretro foi de novo carregado por militares até o altar, entre uma dupla fileira de soldados com uniformes branco e verde-escuro.
Após a cerimônia, que durou cerca de três horas, madre Teresa foi conduzida, de novo em procissão mas sob chuva, até sua última morada. Nas ruas de Calcutá ainda havia milhares de pessoas.


