Emoção marca partida
Agência Estado
De Brasília
A emoção tomou conta do embarque dos 51 militares, na Base Aérea de Brasília, que seguiram ontem para o Timor Leste. Até a primeira-dama, dona Ruth Cardoso, que fez questão de comparecer ao embarque para despedir-se da tropa ao lado do presidente Fernando Henrique Cardoso, a exemplo da maioria dos familiares, chorou.
O senhor levou meu filho caçula, lamentava-se, chorando, Anazilda Maria Moreira, mãe do cabo César Augusto Moreira Dário, ao ser consolada pelo presidente. Fique tranquila porque ele vai, mas volta, consolou Fernando Henrique, que fez questão de prestar sua solidariedade a muitos outros familiares e parabenizá-los pela coragem de seus filhos em apresentar-se como voluntários.
Renata Alonso, de 23 anos, não se intimidou com a presença do presidente da República, do comandante do Exército ou do batalhão de fotógrafos, ao dar um demorado e apaixonado beijo no noivo, o tenente Fabiano Augusto Cunha da Silva. Ele me consultou sobre a missão e eu dei todo apoio, comentou a fisioterapeuta, com lágrimas nos olhos e a voz embargada.
O garoto Luiz Phelipe Bassegio Parente de Souza, de 9 anos, ao lado da mãe, Mariângela, e da irmã Giuliana, de 1 ano e 6 meses, tentou mostrar-se forte enquanto seu pai, o capitão médico Luiz Phelipe Pereira Parente de Souza, se preparava para o embarque. Quando soube que ele ia, fiquei com muito medo. Mas quero ser médico igual a meu pai, do Exército, e ir para a guerra para ajudar pessoas.
Inconformada com a partida do filho, o sargento João Carlos Fontinelli Prado, Teresa Fontinelli queixava-se que ele foi escolhido para a missão porque falava inglês fluentemente. Ela fez questão de levar para o embarque o pastor da Igreja Batista da qual é seguidora, José Lopes da Silva, que rezou pela tropa em um rápido culto realizado na Base Aérea.





