As Coréias do Norte e do Sul deram um passo comovente e altamente significativo no caminho para a reconciliação, após décadas de ódio, ontem, quando 200 famílias separadas depois da divisão da península se reuniram pela primeira vez em meio século.
A reunião emocionalmente no limite do suportável de 100 norte-coreanos com suas famílias em Seul e 100 sul-coreanos com seus parentes em Pionguiangue foi um dos principais frutos da cúpula entre as duas Coréias, realizada em junho.
Muitos dos participantes dos quatro dias de reuniões não haviam visto seus antepassados, cônjuges ou filhos desde os trágicos acontecimentos da Guerra da Coréia (1950-53).
O encontro foi promovido pela ‘‘Semana de Reconciliação’’. O caos tomou o salão principal quando a fila de norte-coreanos se rompeu para se transformar num grupo de pessoas emocionadas, que simplesmente queria o reencontro com seus entes queridos.
Cada pessoa tinha que abrir caminho entre as 100 mesas numeradas, onde os familiares sul-coreanos esperavam com ansiedade há várias horas. Em pouquíssimos minutos o salão se tornou um caótico maremoto de emoções. Soluços entrecortados, chamados em voz alta e gritos marcaram o encontro.
Estas visitas – as primeiras desde um confuso intercâmbio, em 1985 – foram combinadas entre o presidente sul-coreano Kim Dae-Jung e o líder norte-coreano Kim Jong-Il, em junho.
Lim Jae-Hyok, de 66 anos, encontrou seu pai ainda vivo, aos 91 anos, mas paralisado numa cadeira de rodas. Da última vez que se haviam se visto, Lim havia sido alistado pelo exército norte-coreano durante a guerra.
Lim começou a chorar quando o velho pai não o reconheceu. Bateu no peito e gritou: ‘‘Papaizinho, teus netos na Coréia do Norte também querem te ver. Meu coração está partido. Este pode ser nosso último encontro’’, gritou, enquanto se ajoelhava chorando.
Cenas mais ou menos idênticas se repetiam. Uma anciã de 95 anos, ao avistar seu filho de 69, Jo Jin-Yong, começou a tremer de tal maneira que teve que ser socorrida pelo serviço médico de urgência.
No Norte, no Koryo Hotel, em Pionguiangue, os sul-coreanos se encontravam com seus familiares do lado comunista. Também o som predominante era o de pessoas chorando, mas foi possível ouvir, ainda, a voz aguda de um sul-coreano, entoando uma antiga canção folclórica, que provavelmente aprendeu quando criança. A letra da música falava das belezas da antiga Coréia, um país sem divisões.
O dia foi rico em simbolismos: o avião da Air Koryo foi o primeiro aparelho da Coréia do Norte a aterrissar em Seul desde a guerra. ‘‘Este não é um sonho, mas um retrato do que será o futuro próximo’’, disse o presidente sul-coreano, Kim.

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