O embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba, condenado pelo Papa João Paulo II nesta semana em sua missa em Camaguey, já fez a ilha perder 60 bilhões de dólares desde que entrou em vigor há pouco mais de 35 anos, segundo pesquisadores cubanos.
O embargo, endurecido pelas leis Torricelli (1992) e Helms-Burton (1996), fez com que a Ilha de Cuba deixasse de receber 25 bilhões de dólares em exportação de bens e serviços, principalmente no mercado do açúcar e do turismo, as duas primeiras fontes de divisas.
A perda de mercados para exportar produtos e serviços e a necessidade de buscar novos países para o comércio foram os principais aspectos que incidiram no elevado custo econômico do embargo a Cuba, disse à France Presse o pesquisador e economista Alejandro Aguilar.
Com o bloqueio, o governo de Fidel Castro teve que reorganizar geograficamente seu comércio, e se viu obrigado a vender seus produtos em mercados mais distantes como os países da Ásia e Europa do Leste, o que implicou perdas e custos no valor de 15 bilhões de dólares.
Os efeitos negativos causados à produção e aos serviços, devido, por exemplo, à falta de maquinaria, sobressalentes, tecnologia, foram contabilizados em 9 bilhões de dólares pelos pesquisadores.
Por si só, a chamada fuga de cérebros, principalmente para os Estados Unidos, custou a Cuba 2 bilhões de dólares desde 1959, quando triunfou a revolução liderada por Fidel Castro que derrubou o ditador Fulgêncio Batista.
A isso se somam 1,5 bilhão de dólares em prejuízos diretos à população, como são os causados pela carência de material elétrico adequado, segundo Aguilar.
Outros 6,5 bilhões de dólares correspondem às chamadas consequências financeiras que trouxe para Cuba o embargo, pois lhe foram negados créditos de órgãos financeiros ou de certas empresas provedoras a médio e longo prazo.
Em março de 1996, os Estados Unidos promulgaram a lei Helms-Burton que busca internacionalizar o embargo ao sancionar as empresas que comercializem com Cuba.
O embargo a Cuba tem sido condenado nos últimos seis anos pelas Nações Unidas, contra a posição solitária dos Estados Unidos..

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