Embaixador taleban faz ameaças aos EUA
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segunda-feira, 08 de outubro de 2001
Antonio Rodríguez<br> France Presse<br> De Islamabad 
A milícia islâmica dos talebans advertiu ontem os Estados Unidos para as ''graves'' consequências depois dos primeiros bombardeios contra o Afeganistão, que deixaram pelo menos 25 mortos, e os quais considerou um ataque ''terrorista'' contra ''o mundo muçulmano em seu conjunto''.
''As consequências são muito graves, e são tão graves que ninguém pode determinar sua natureza'', declarou à imprensa o embaixador dos talebans no Paquistão, Abdul Salm Zaeef.
Em declarações à agência AIP, com sede no Paquistão, o mulá Amir Khan Muttaqi, afirmou que os talebans irão ''lutar contra os norte-americanos, como fizemos com os russos'', citando os dez anos de ocupação das tropas soviéticas, que tiveram que se retirar do país em 1989, depois de sofrer uma humilhante derrota.
''Reforçamos nossas posições militares e decidimos mobilizar soldados em alguns lugares importantes'', explicou Khan Muttaqi.
Na primeira reação oficial dos talebans ao início dos bombardeios norte-americanos e britânicos, Zaeef precisou que os ataques da noite de domingo deixaram 20 mortos em Cabul ''entre eles mulheres, crianças e idosos''.
Por outro lado, a agência AIP informou a morte de cinco integrantes da milícia islâmica em um ataque contra a base militar de Shindand, na província de Fará (oeste do Afeganistão), perto da fronteira com o Irã.
''Se os norte-americanos pensam que podem tirar proveito destes ataques, considero que se equivocaram. Não sairão disto com êxito'', previu o embaixador. ''Se os norte-americanos supõem que derramar o sangue dos afegãos será mais fácil para eles e que vão tirar proveito disto, penso que se equivocaram'', reiterou.
Zaeef afirmou que os bombardeios da noite foram um ''ataque terrorista contra o mundo muçulmano em seu conjunto''. ''Há muito tempo, os Estados Unidos, sob diferentes pretextos, atacam o povo muçulmano no mundo'', afirmou Zaeef.
O embaixador acrescentou que os Estados Unidos são uma potência mundial opressiva e que os pobres muçulmanos se levantarão para se defender.
Segundo o embaixador Zaeef, o homem mais procurado do mundo, Osama bin Laden, está são e salvo no Afeganistão. ''Sim, está vivo e está no interior do Afeganistão'', declarou, apesar de se apressar a dizer que os talebans ''não têm contatos com Osama''.
Por outro lado, o mulá Muttaqi assegurou que os ataques não mudaram a posição dos talebans a respeito de Bin Laden.


