São Paulo - O embaixador do Brasil em Amã, Antônio Carlos Coelho da Rocha, afirmou ontem que a construtora Norberto Odebrecht conduzirá as eventuais negociações para a libertação do engenheiro brasileiro João José Vasconcelos Jr., 49. Ele é funcionário da empresa e desapareceu em Beiji, ao norte do Iraque, na última quarta-feira.
''É a Odebrecht que vai conduzir as ações'', disse por telefone o embaixador. ''Por enquanto, não temos nenhuma instrução do Itamaraty (no sentido de conduzir qualquer negociação ou contato com os sequestradores).'' Segundo Coelho da Rocha, qualquer ação concreta por parte da embaixada ''será definida no momento oportuno''.
As primeiras informações sobre o desaparecimento do brasileiro no Iraque foram divulgadas pelo Exército americano no dia 19. Segundo um porta-voz dos militares, baseado em Tikrit (180 km ao norte da capital), insurgentes teriam desferido um ataque contra um comboio da empresa britânica Janusian Security Risk Management. Vasconcelos Jr., da Odebrecht, estaria no grupo.
Sexta-feira, o Itamaraty divulgou um comunicado dizendo que o ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, reuniu o gabinete e mobilizou embaixadas e representações brasileiras na região ''a fim de analisar todas as informações relevantes sobre o caso''. Segundo a Odebrecht, familiares de Vasconcelos viajaram para a Flórida (EUA) para acompanhar o caso de lá.
Em um vídeo divulgado na internet, e reproduzido pela rede de TV Al Jazira (Qatar), rebeldes que se identificaram como Brigadas Mujahidin assumiram o sequestro do brasileiro. Durante a gravação, eles mostraram a identidade do engenheiro, mas o suposto refém não foi exibido.
Segundo a Al Jazira, o sequestro do brasileiro foi uma ação conjunta das Brigadas com o Exército de Ansar al Sunna, grupo rebelde ligado à Al Qaeda, de Osama bin Laden, e responsável por diversas ações terroristas no Iraque. No dia seguinte ao desaparecimento de Vasconcelos, o Ansar al Sunna publicou um comunicado na internet assumindo um ataque em Beiji, em que um britânico e um iraquiano foram mortos.
Coelho da Rocha negou que um segundo brasileiro teria morrido no Iraque. Um comunicado divulgado pela Odebrecht, para quem Vasconcelos prestava serviços no Iraque, também negou que o segundo brasileiro, supostamente assassinado, fosse funcionário da empresa. A morte foi ''anunciada'' pela TV árabe.

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