Embaixada confirma 25 brasileiros feridos no Suriname
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Ricardo Leopoldo<br>Agência Estado 
São Paulo - O embaixador do Brasil no Suriname, José Diniz Machado e Costa, afirmou que o número de brasileiros feridos por moradores locais a golpes de facões em Albina, cidade distante 150 quilômetros da capital, Paramaribo, chega a 25. Ele disse que o número não foi confirmado pelo governo local. Inicialmente, o dado divulgado era de 14 feridos. Embora sete pessoas estejam em estado grave, o diplomata disse que não há informação oficial sobre os feridos ou se alguma vítima corre risco de perder a vida. O fato ocorreu na virada do dia 24 para o dia 25 de dezembro.
Segundo o embaixador, uma mulher grávida, cujo primeiro nome é Érica, teria perdido o bebê no ataque, de acordo com o relato de um adido consular brasileiro. Essa informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente.
O diplomata ressaltou que os atos de extrema violência ocorreram depois que um garimpeiro brasileiro matou um morador local, que faz parte do grupo étnico marron, como são conhecidos os surinamenses descendentes de escravos - o equivalente aos quilombolas do Brasil. Em represália, cerca de 300 marrons teriam atacado um grupo de 80 brasileiros estabelecidos nas redondezas.
De acordo com o diplomata, ele recebeu a orientação do ministro das Relações Exteriores interino do Brasil, Antônio Patriota, para viajar hoje pela manhã para Albina, onde conversará com os brasileiros estabelecidos na cidade para saber qual tipo de assistência eles precisam do governo brasileiro.
O embaixador José Diniz Machado e Costa destacou que não há um número preciso de brasileiros que trabalham em Albina, onde a principal fonte econômica é a extração mineral. Ele destacou que há 15 anos muitos garimpeiros partiram do País para o Suriname em busca de ouro, pois a atividade passou a se tornar mais restrita no Brasil.
''Não sabemos como ficará a situação dos brasileiros. Eles têm o direito de ir e vir, e há muitos que moram há décadas no Suriname, têm os seus próprios negócios, estão bem instalados'', contou Costa. ''No entanto, conversamos com alguns que se encontram bastante assustados e querem voltar imediatamente para o Brasil. Nesses casos, daremos toda a assistência que nos for solicitada.''
Ele disse que sua primeira recomendação aos cerca de 15 mil a 18 mil brasileiros que moram no Suriname é para que regularizem a sua situação - não é necessário visto para morar no país, mas para ficar mais de três meses é preciso registro.
''A convivência sempre foi de harmonia. Porém, alguns brasileiros não pagam impostos, estão em situação ilegal, e isso gera às vezes alguma tensão. Eles são vistos como pessoas que usufruem dos serviços públicos sem pagar nada por eles.''
O embaixador ressaltou que o governo do Suriname está sendo muito prestativo e solidário aos garimpeiros atacados. Para ele, uma das principais hipóteses que provocou o homicídio que motivou o ataque dos marrons teria sido uma divergência sobre o pagamento ''em ouro'' que os brasileiros precisam dar periodicamente aos chefes da população local para poder extrair minerais da área. ''É provável que tenha sido exigido um valor abusivo em ouro do brasileiro. Teria ocorrido a briga e, em seguida, o homicídio'', disse.
Com informações da Folhapress


