Embaixada britânica no Irã é alvo de protestos
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de abril de 2007
France Presse 
Teerã- Quase 200 estudantes islamitas se reuniram ontem diante da embaixada da Grã-Bretanha em Teerã para protestar contra a suposta entrada em águas iranianas de 15 marinheiros britânicos, que permanecem presos desde 23 de março, o que abalou a relação diplomática dos dois países.
Várias bombas explodiram dentro do complexo da embaixada, protegida por dezenas de policiais e várias barricadas para manter os manifestantes a distância.
Os radicais, membros da milícia islâmica Basidj, exigiam um julgamento dos 15 militares britânicos capturados pelas forças iranianas no norte do Golfo na semana passada. ''Morte à Grã-Bretanha'', ''Morte aos Estados Unidos'' e ''Morte a Israel'', gritaram os manifestantes.
Apesar do confronto verbal dos últimos dias e das novas acusações feitas no sábado pelo presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, que exigiu um pedido de desculpas do Reino Unido, as duas partes mantêm aberta a via da diplomacia.
O governo britânico mantém ''conversações bilaterais diretas'' com o Irã a respeito da crise, afirmou ontem o ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Des Browne.
Em uma entrevista à BBC no Afeganistão, Browne afirmou que não existe ''nenhum motivo'' para que o Irã continue retendo o grupo. ''A mensagem da ONU e a mensagem da União Européia (UE) deveriam mostrar a eles claramente que sua responsabilidade é liberar as pessoas detidas'', disse.
O ministro britânico não explicou como os contatos bilaterais estão sendo estabelecidos.
De acordo com o jornal britânico Sunday Telegraph, Londres busca um compromisso que permita a libertação dos soldados e o envio ao Irã de um alto oficial da Marinha para negociações.
Uma solução diplomática ao conflito, segundo uma pesquisa publicada pelo jornal, é desejada pelos britânicos, já que 48% dos entrevistados afirmaram ser contrários ao uso da força independentemente do que aconteça e 44% são partidários desta possibilidade como último recurso.
Além disso, 40% dos entrevistados aprovam a atitude do governo de priorizar uma solução diplomática, sem apresentar desculpas, enquanto 26% consideram que a Grã-Bretanha deveria pedir perdão.
Ahmadinejad exigiu no sábado a demonstração de arrependimento, enquanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, qualificou de indesculpável a captura dos marinheiros, mas pediu uma solução ''pacífica''.
Ontem mesmo, o Irã recomendou ao presidente Bush que se abstenha de fazer declarações ''irracionais'' sobre o caso, segundo a televisão estatal iraniana.
O Sunday Telegraph menciona ainda um plano, elaborado durante uma reunião de crise no sábado em Londres, segundo o qual o governo britânico se comprometeria com o Irã que a Marinha Real jamais entraria em águas territoriais iranianas sem autorização. De acordo com uma fonte do ministério da Defesa citada pelo jornal, o plano gerou esperanças.


