Cento e sete laureados com o Prêmio da Paz e mais de 110 milhões de vítimas de guerras: o ano 2001 é o do centenário do Nobel, mas também é o que encerra o século mais sangrento da história da humanidade.
O século XX acabara de nascer quando o primeiro Nobel da Paz foi entregue ao suíço Jean Henri Dunant e ao francês Frédéric Passy, respectivamente fundadores do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) e da Liga Internacional Permanente da Paz. Cem anos e 250 guerras depois, o prêmio criado por Alfred Nobel se tornou uma verdadeira instituição.
Entretanto, 110,4 milhões de pessoas, entre as quais 63 milhões de civis, morreram nas guerras sucessivas, segundo estimativas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) de Londres.
''Se o critério de êxito adotado fosse a capacidade do Nobel da Paz para acabar com as guerras, o prêmio seria um fracasso evidente. E continuaria sendo. Adotar esse critério seria acreditar que um grupo de cinco pessoas (os membros do Comitê do Nobel) possui mais poder que o próprio presidente dos Estados Unidos'', comenta Geir Lundestad, diretor do Instituto Nobel.
O diretor do Instituto Nobel reconhece: em cem anos de existência o prêmio teve falhas. ''Um esquecimento marcante foi Mahatma Gandhi, e também, ainda que em menor medida, os fundadores da União Européia, como Jean Monnet'', opinou Lundestad ''a título pessoal''.
''O Comitê Nobel teve dificuldades para se adaptar à nova situação internacional surgida da distensão'', explica Oeivind Stenersen, um dos autores do livro.
O nome do premiado com o Nobel da Paz em 2001 será anunciado no dia 12, em Oslo. Este ano o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, é considerado o grande favorito pelos analistas, que destacam o caráter consensual e simbólico de sua candidatura no ano do centenário do Prêmio.

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