Em um mês, 600 mortos no Iraque
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quinta-feira, 30 de maio de 2013
France Presse 
Bagdá - Pelo menos 30 pessoas morreram em uma série de ataques e atentados com carros-bomba praticados nesta quinta-feira no Iraque, onde a violência deixou mais de 600 mortos desde o início de maio.
Em meio a um aumento claro da violência registrado nos últimos meses tendo como pano de fundo uma grave crise política, a ONU pediu às lideranças iraquianas que se reúnam o mais rápido possível para resolver suas divergências, e não permitam que os insurgentes se aproveitem delas.
Frente à onda de violência, o governo decidiu na terça-feira "agir contra todas as milícias que cometem atos fora da lei" e pediu uma reunião "das forças políticas que devem assumir suas responsabilidades".
"Estou muito preocupado", declarou ontem à AFP o emissário especial da ONU ao Iraque, Martin Kobler, contatado por telefone em Berlim.
"sso pode se agravar", advertiu, ressaltando a necessidade de um acordo político para acabar com o impasse atual.
O ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, também considerou necessário um acordo. É "da responsabilidade do governo redobrar os esforços e impedir que (a escalada) cause uma guerra confessional" entre sunitas e xiitas.
Ontem, cinco carros-bomba explodiram e outros dois atentados sacudiram Bagdá, matando 21 pessoas e ferindo pelo menos 71, segundo autoridades dos serviços médicos e de segurança.
Dois membros da polícia fronteiriça também foram mortos a tiros em uma emboscada ao longo da principal estrada entre o Iraque e a Jordânia.
Em Mossul (norte), três policiais morreram em um atentado suicida com carro-bomba e outras quatro pessoas perderam a vida em um ataque parecido em um outro setor da cidade.
Na quarta-feira, os episódios de violência deixaram 28 mortos, incluindo 16 vítimas de um atentado contra uma cerimônia de casamento.
Desde o início de maio, pelo menos 603 pessoas morreram e mais de 1.000 ficaram feridas na onda de violência, de acordo com um registro estabelecido pela AFP com base em dados fornecidos por fontes de segurança e médicas.
O Iraque registra desde o início do ano uma espiral de violência que coincide com uma mobilização da minoria sunita para denunciar sua marginalização por parte do governo do xiita Nuri al-Maliki, acusado por seus detratores de se aferrar ao poder.
As manifestações e a violência suscitam temores de uma volta do conflito religioso que dividiu o país após a invasão americana. Entre os anos de 2006 e de 2007 a média mensal de mortes chegou a mais de mil.
Os sunitas consideram que a estigmatização de que sofrem pode ser explicada, em boa parte, pela utilização sistemática do arsenal legislativo antiterrorista contra essa corrente. E, para os analistas, este descontentamento alimenta a violência.
O governo tentou apaziguar os ânimos libertando prisioneiros e aumentando o salário dos milicianos sunitas que combatem a Al-Qaeda, mas não atacou as raízes sociais da frustração.


